Vídeo mostra preso canadense chorando em Guantánamo

Omar Khadr, o único ocidental aindapreso na base naval norte-americana de Guantánamo, chorou e sedesesperou ao ser interrogado por autoridades canadenses, comomostra um vídeo divulgado na terça-feira. O canadense Khadr foi preso em 2002 no Afeganistão, aos 15anos, e é acusado de ter matado um paramédico norte-americano.O vídeo secreto foi gravado em fevereiro de 2003, e nele Khadr,então com 16 anos, é interrogado por membros do ServiçoCanadense de Inteligência da Segurança. Em um momento, quando os interrogadores deixam a sala,Khadr apóia a cabeça nas mãos e murmura algo. Soa como "killme" ("matem-me," em inglês), mas um falante nativo do árabe,ligado ao Conselho Nacional das Relações Árabe-Canadense, disseà Reuters que ele poderia estar dizendo "ya ummi" ("minhamãe"). O vídeo, abrangendo quatro dias de interrogatórios, foidivulgado por advogados de Khadr após uma longa disputa com ogoverno canadense. "É o grito de um jovem desesperado. Ele esperava que asautoridades canadenses o levassem para casa", disse o advogadoDennis Edney. Trata-se de uma rara oportunidade de ver Guantánamo pordentro. Os EUA mantêm cerca de 265 suspeitos de terrorismonesta base encravada em Cuba, sob condições criticadas porgrupos de direitos humanos. Nos trechos divulgados, Khadr se queixa da indiferença dosinterrogadores e do mau atendimento médico. Ele tira o macacãopara mostrar cicatrizes que teria sofrido durante o combate quematou o paramédico no Afeganistão, Ativistas dizem que Khadr foi uma criança alistada comosoldado, e como tal deve ser reabilitado ao invés de punido. Oprimeiro-ministro canadense, Stephen Harper, recusa-se ainterceder junto aos EUA, alegando que o rapaz sofreu acusaçõesgraves. Khadr diz também que interrogadores dos EUA repetidamenteameaçaram violentá-lo sexualmente ou transferi-lo a um paísonde isso aconteceria. Documentos divulgados neste mês mostram que agentes dos EUAimpediram Khadr de dormir antes de ele se encontrar com umfuncionário da chancelaria canadense, em 2004. Os vídeos -- que não mostram abusos físicos -- e osdocumentos demonstram que Harper enganou os canadenses quandodisse que Ottawa recebera de Washington garantias de que Khadrera bem tratado. "Eles sabiam por Omar Khadr que ele havia sido maltratado,estava amedrontado pelos norte-americanos e havia sidotorturado. Esse menino já sofreu bastante. Esse menino precisavir para casa. Esse menino não é um terrorista", disse Edney ajornalistas. Um juiz canadense decidiu no mês passado que Khadr poderiaver as descrições das conversas com os canadenses, a fim depreparar sua defesa para o julgamento a ser feito emGuantánamo. Khadr foi levado ao Afeganistão por seu pai, Ahmed SaidKhadr, suposto agente financeiro da Al Qaeda e amigo íntimo deOsama bin Laden. Ahmed Khadr foi morto em combate com forçaspaquistanesas em 2003. Abdullah Khadr, irmão de Omar, pode ser extraditado doCanadá para os EUA sob a suspeita de porte ilegal de armas econspiração para matar norte-americanos no exterior. Um irmãodo meio, Abdurahman Khadr, também esteve preso em Guantánamo,mas já foi solto. Outros países ocidentais conseguiram repatriar seusprisioneiros de Guantánamo. "O Canadá não é um fantoche dos Estados Unidos. É hora de oCanadá agir como qualquer outra nação ocidental", disse NathanWhitling, outro advogado de Khadr.

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