Viúva de Daniel Pearl entra na Justiça contra banco e Al-Qaeda

Jornalista do 'WST', ex-chefe da sucursal asiática do jornal, foi seqüestrado e morto em 2002 no Paquistão

Daniel Trotta, REUTERS

18 Julho 2007 | 14h36

A viúva do jornalista do Wall Street Journal Daniel Pearl entrou com uma ação na quarta-feira contra a Al-Qaeda, contra outros grupos radicais e contra o banco Habib, que fica no Paquistão, acusando-os do seqüestro, da tortura e do assassinato do marido em 2002, na cidade paquistanesa de Karachi.A história de Mariane Pearl é contada no filme A Mighty Heart, com Angelina Jolie, recentemente lançado nos Estados Unidos. A viúva impetrou a ação numa Corte Distrital de Nova York, segundo seus advogados. "Os querelantes pretendem responsabilizar os terroristas, as organizações terroristas e as organizações bancárias e beneficentes de apoio pelo seqüestro, pela tortura e pelo assassinato sem sentido de Daniel Pearl", afirma a ação.A viúva pede uma indenização em dinheiro de quantia não-especificada, a que o tribunal "considerar adequada", para evitar que os réus cometam atos semelhantes.Pearl era chefe da sucursal do sul da Ásia do Wall Street Journal, e foi sequestrado em Karachi em janeiro de 2002, quando tentava entrevistar militantes islamitas. Depois de vários dias no cativeiro, ele foi decapitado, e a morte foi gravada em vídeo.Entre os processados está Ahmed Omar Saeed Sheikh, o xeque Omar, que foi condenado à morte por um tribunal paquistanês pela participação no seqüestro e no assassinato. Três outras pessoas foram condenadas à prisão perpétua.   Outro citado na ação é Khalid Sheikh Mohammed, suposto líder da Al-Qaeda e um dos mentores dos ataques de 11 de setembro, que está sob custódia norte-americana. Segundo as Forças Armadas dos EUA, Mohammed admitiu num tribunal militar ter decapitado Pearl.O banco Habib é um dos maiores do Paquistão. A ação alega que o banco e seus subsidiários conduziram transações financeiras em nome das entidades beneficentes ligadas a grupos extremistas."Ao fazer isso, o Habib e seus subsidiários colaboraram e deram apoio material, na forma de serviços financeiros, às organizações de apoio ao terrorismo", afirmou a ação. O banco Habib não deu declarações imediatas sobre o caso.

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