Wall Street planeja abrir na segunda-feira apesar de furacão

As bolsas de valores norte-americanas e os bancos de Wall Street enviaram funcionários cruciais a Manhattan para se hospedar em hotéis e casas de colegas de trabalho, preparando-se para abrir os negócios na segunda-feira pelo menos com o pessoal de base apesar da ameaça do furacão Sandy de suspender o transporte de massa.

JOHN MCGARRITY E CAROLINE HUMER, Reuters

28 de outubro de 2012 | 19h46

A NYSE Euronext e a Nasdaq, as duas principais operadoras de bolsas dos EUA, disseram no domingo que ainda pretendem abrir para negociação na segunda-feira. A Direct Edge também disse que espera operar suas bolsas EDGX e EDGA durante as horas normais de mercado na segunda.

Mas a NYSE disse na tarde de domingo que iria fechar as operações físicas pela primeira vez desde 1985. As transações serão realizadas apenas eletronicamente.

A CME disse que estava suspendendo as operações físicas na segunda-feira na sede mundial da NYMEX, o maior mercado futuro e de opções de petróleo e energia no mundo. Mas o comércio eletrônico em toda a CME vai abrir na hora programada regularmente na Globex e ClearPort, as plataformas eletrônicas do CME.

Os principais bancos de Wall Street, incluindo Goldman Sachs, Citigroup e JPMorgan, também se prepararam para abrir na segunda-feira.

"O que se dizia nos corredores na sexta-feira era que as pessoas deveriam esperar que isso acontecesse. No caso de a bolsa não abrir (fisicamente), eles vão negociar eletronicamente de qualquer forma", disse Ken Polcari, diretor da ICAP Equities, neste domingo.

Um operador de títulos em uma grande empresa de Wall Street disse que os bancos de Nova York fariam suas ordens através de escritórios no Centro-Oeste e na Costa Oeste dos EUA. Ele disse que os empregados da Costa Oeste estavam planejando levantar cedo, enquanto os colegas na Europa estavam esperando um longo dia na segunda-feira.

Os volumes, no entanto, devem ser menores, segundo o trader.

A Associação da Indústria de Valores Mobiliários e Mercados Financeiros disse que não fez qualquer recomendação para fechar o mercado de renda fixa na segunda-feira.

O furacão Sandy deve atingir a Costa Leste na noite de segunda-feira, provocando chuvas torrenciais, ventos fortes, inundações e quedas de energia.

A rara "super tempestade", criada por uma corrente do Ártico envolvendo-se em torno de uma tempestade tropical, pode ser a maior a atingir os EUA, de acordo com meteorologistas.

SEM TRANSPORTE

O metrô, o sistema de ônibus e o sistema ferroviário de Nova York vão suspender o serviço por volta das 23h do domingo, o que significa que não haverá transporte público para ou dentro da cidade. Cerca de 8,5 milhões de passageiros usam o Sistema de Transito Metropolitano de trem, ônibus, e metrô diariamente.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, fechou escolas públicas e ordenou a retirada de 375 mil pessoas em áreas costeiras, incluindo ao bairro de Battery Park, a algumas quadras da bolsa de NY, City Island, no Bronx e Staten Island.

A NYSE organizou acomodações para funcionários essenciais perto de sua sede em Manhattan, enquanto outros funcionários foram incentivados a trabalhar de casa ou em locais alternativos, disse uma pessoa familiarizada com a situação.

"Todo mundo em Wall Street tem hotéis reservados para os funcionários essenciais," disse essa fonte, acrescentando que a bolsa teria várias centenas de pessoas, em comparação com as habituais mais de mil, que mantém as negociações funcionando.

As principais bolsas de valores e empresas de capital têm locais de comercialização alternativos, caso o centro de Manhattan fique inacessível, mas a tempestade pode afetar uma série de lugares na área metropolitana de Nova York.

As autoridades alertaram para possíveis quedas de energia generalizadas, que podem durar dias.

A NYSE não precisou adiar sua abertura por uma questão relacionada ao clima desde que uma nevasca atingiu a região de Nova York em janeiro de 1996. Em agosto de 2011, as autoridades temiam que o furacão Irene inundasse Manhattan e atrapalhasse os negócios na capital financeira do mundo.

Empresas de Wall Street ativaram planos de contingência e a cidade de Nova York ordenou a evacuação de Manhattan e desativou seu sistema de transporte de massa em uma noite de sábado, antecipando-se à tempestade. Mas a inundação foi pequena e não houve grandes perturbações nas bolsas de valores.

(Reportagem de John McCrank, Gaffen David, Caroline Humer, Henry David, Charles Mikolajczak, Leong Richard, Krudy Edward, LaCapra Lauren e Rothacker Rick)

Tudo o que sabemos sobre:
EUADEBATE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.