Washington Post publica editorial criticando Hugo Chávez

Escândalo envolvendo empresário venezuelano na Argentina é uma 'metáfora do antiamericana' de Chávez

Ansa,

17 de agosto de 2007 | 20h22

O destino dos 800 mil dólares com os quais um empresário venezuelano tentou entrar em Buenos Aires sem declarar é "o mistério mais quente" do momento na América do Sul, mas é também "uma metáfora" da maneira com que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, busca construir uma frente regional antiamericana, opinou em um editorial o jornal Washington Post nesta sexta-feira, 17.   O jornal norte-americano acusou o presidente venezuelano de estar "firmando sua autocracia com petrodólares e outro impulso para a reforma", em referência às mudanças constitucionais propostas, que entre outras coisas prevê a reeleição contínua e a instauração do conceito de propriedade social.   O comentário principal se refere ao empresário venezuelano, Guido Antonioni Wilson, residente em Miami, que no último dia 4 de agosto tentou entrar na Argentina com uma mala contendo 800 mil dólares, sem declarar.   Segundo o jornal, Chávez está "aproveitando o momento" para por em prática um pacote de reformas constitucionais que "ameaçam o que resta de democracia na Venezuela".   A reformas, indicou o jornal, "estenderão o fim do mandato presidencial e abolirão seus limites de maneira que Chávez possa se reeleger a cada sete anos, começando pelo término do atual mandato que ocorre em 2012".   "No entanto, mais ameaçador, o senhor Chávez quer estabelecer uma 'milícia popular' ao lado das forças armadas regulares".   "Quem sabe se essa nova força seja a receptadora dos 5 mil rifles que o senhor Chávez acaba de comprar da Rússia", comentou o jornal norte-americano.   Depois de repassar algumas das medidas tomadas pelo governo de Caracas, como a canalização de fundos sociais através de conselhos comunais, a nacionalização de empresas de comunicação e energia e a não renovação da licença de um canal de televisão privado para TV aberta, o Washington Post opinou que o "socialismo do século XXI" que propõe Hugo Chávez "se parece de maneira deprimente uma versão do século XX: um estado inchado, repressivo, liderado por um homem forte".   "Ainda que corrupto e corruptor, tanto para a Venezuela como para o hemisfério, a fórmula militarista de Chávez é sem dúvida potente", afirmou o jornal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.