10% do efetivo da Polícia Federal mexicana é exonerado por corrupção

Governo Calderón ordena processo de revisão e depuração da instituição e demite 3,2 mil

Efe

30 de agosto de 2010 | 15h21

A Polícia Federal mexicana anunciou nesta segunda-feira a expulsão de 3,2 mil agentes suspeitos de corrupção como parte de um processo de "revisão e depuração" de suas estruturas, o que representa quase 10% do efetivo total de policiais. A medida está inserida no contexto da luta contra o narcotráfico no país.

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Em entrevista coletiva o comissário geral da Polícia Federal mexicana, Facundo Rosas, informou a abertura de expedientes disciplinares para outros 1.020 agentes da mesma corporação, que são ligados a Secretaria de Segurança Pública (SSP), "especificamente por não terem cumprido os exames de controle de confiança".

Conforme Rosas, em uma primeira fase o conselho federal de desenvolvimento policial decidiu cortar 3,2 mil agentes "com base na lei do Sistema Nacional de Segurança Pública e a partir da publicação da Lei da Polícia Federal", que inclui novas medidas anticorrupção.

Entre os expulsos estão comandantes acusados em 7 de agosto por seus subordinados de ligação com o crime organizado em Ciudad Juárez, a mais violenta do México.

"A segunda etapa inclui o início do procedimento disciplinar para outros 1.020 elementos pelo descumprimento dos requisitos de permanência, especificamente por não terem cumprido os exames de controle de confiança", acrescentou Rosas.

Além disso, 465 policiais têm processos abertos "no conselho federal de desenvolvimento policial de desligamento", o que poderia elevar o número de expulsões.

A medida vem acompanhada "da proibição do reingresso" dos agentes expulsos "a qualquer instituição da policial federal, estatal ou municipal", acrescentou o comissário policial.

"O anterior faz parte do compromisso permanente de consolidar Polícia Federal que torne realidade os princípios constitucionais de legalidade, honradez, eficiência, profissionalismo e respeito aos direitos humanos", disse Rosas.

A decisão faz parte da estratégia de revisão e depuração de uma corporação formada por 34,5 mil agentes na qual o governo de Felipe Calderón depositou parte da responsabilidade da luta contra o crime organizado.

A SSP leva anos tratando de erradicar a corrupção da Polícia Federal buscando contar com um elenco de agentes federais mais confiáveis.

Desde 2006, a violência relacionada ao tráfico de drogas no México deixou mais de 28 mil mortos, a maioria na área fronteiriça com os EUA. O governo destacou 50 mil militares para combater os traficantes.

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