9 meses após tremor, 1 milhão de haitianos ainda vive em acampamentos

Segundo relatório de ONG, maioria dos campos não têm líderes e há violência sexual e gangues

AP,

07 de outubro de 2010 | 17h57

Clinton conversou ontem com vítimas do terremoto em acampamento

 

WASHINGTON- Um relatório de uma ONG divulgado nesta quinta-feira, 7, afirma que mais de um milhão de haitianos ainda vive em 1.300 acampamentos improvisados nove meses após o terremoto de grandes proporções que atingiu o país.

 

Segundo o documento da Refugees International, sues investigadores descobriram em uma visita recente ao Haiti que menos de 30% dos acampamentos não têm líderes, o que significa mais de 70% de locais que não conseguem se comunicar ou promover iniciativas coordenadas com organizações humanitárias.

 

O texto diz que a responsabilidade humanitária no país "parece paralisada", e que há casos frequentes de violência sexual e gangues que atuam nos acampamentos. O grupo pede uma ação urgente para proteger os direitos humanos básicos das vítimas do terremoto vivendo nos campos abarrotados.

 

O ex-presidente Bill Clinton disse hoje que, apesar das demoras, a ajuda dos Estados Unidos está a caminho do Haiti, após ter escutado ontem as queixas dos desabrigados do país.

 

Clinton, copresidente da comissão que supervisiona a reconstrução do país, se disse frustrado com a lenta entrega dos fundos prometidos pelos doadores, que deram até agora US$ 732 milhões dos US$ 5,3 bilhões prometidos para 2010 e 2011, junto ao perdão da dívida haitiana.

 

Os Estados Unidos, por sua vez, ainda não entregou nem um dólar dos US$ 1,15 bilhão que havia prometido.

 

"Em primeiro lugar, em uma data próxima é óbvio que os Estados Unidos estarão fazendo um enorme pagamento inicial", disse Clinton a jornalistas. "Em segundo, não estou preocupado - mas sim frustrado - porque o Congresso não aprovou o dinheiro que a secretária de Estado e a Casa Branca solicitaram".

 

O ex-presidente visitou ontem um antes campo de golfe de Porto Príncipe, onde agora vivem 55.000 haitianos. Eles o disseram, em meio a enxames de mosquitos e barracas desgastadas, que precisam de dinheiro, empregos, casas e educação para sair do acampamento em que estão.

 

Horas depois, Clinton e o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, anunciaram em frente a antiga embaixada dos Estados Unidos - que agora é o escritório de Bellerive - a injeção de US$ 777 milhões em projetos destinados a educação, geração de empresas, retirada de escombros e outras áreas recém-aprovadas pela comissão que lideram conjuntamente.

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