Jorge Nuñez/Efe
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A Lula, Obama diz esperar avanço cubano nos direitos humanos

Após alívio em restrições a ilha, Raúl Castro diz na Venezuela que aceita negociar todos os temas com os EUA

Da redação, estadao.com.br

17 de abril de 2009 | 11h12

No telefonema feito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, 16, o americano Barack Obama disse esperar um passo a mais de Cuba na área dos direitos humanos para se aproximar mais do regime de Raúl Castro.

 

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O telefonema aconteceu na véspera da Cúpula das Américas, que começa nesta sexta em Port Spain, em Trinidad e Tobago, da qual Cuba não participa. Segundo o Planalto, a conversa entre os dois presidentes serviu para acertar detalhes sobre a posição que EUA e Brasil levarão para a reunião no Caribe.

 

Apesar da ausência cubana, a ilha deve ser o tema das conversas da cúpula, o primeiro encontro de Obama com líderes latino-americanos. Países da região, como o Brasil, México e a Venezuela, defendem o fim do embargo econômico à ilha, imposto pelo presidente John Kennedy em 1962 após a Revolução Cubana.

 

Na segunda-feira passada, Obama liberou viagens de cubano-americanos ao país e permitiu o envio de remessas de dinheiro para ilha, além de facilitar comunicações entre as duas nações.

 

A princípio, o anúncio foi recebido com críticas em Cuba. O ex-presidente Fidel Castro disse em um artigo publicado na imprensa oficial que não precisa de esmolas. Na quinta-feira, no entanto, o discurso mudou. O presidente Raúl Castro, irmão de Fidel, se disse disposto a negociar 'tudo' com Obama.

 

"Mandei dizer ao governo americano, em privado e em público, que estamos dispostos a discutir tudo - direitos humanos, liberdade de imprensa e presos políticos", disse Raúl. Ainda ontem, Obama disse em uma entrevista esperar 'um passo a mais' dos dirigentes castristas.

 

Direitos humanos em Cuba

 

Segundo a ONG de direitos humanos Human Rights Watch, Cuba é um dos países da América Latina que mais reprime a dissidência política. O executivo controla todas as instâncias de poder no país.

 

A punição para dissidentes está prevista em lei e, segundo a HRW, familiares de presos políticos não conseguem conseguir trabalho e também acabam sendo perseguidos. As viagens ao exterior precisam de autorização do governo e não há liberdade de imprensa no país.

 

Em 2008, no entanto, o presidente Raúl Castro comutou a pena de morte de todos presos políticos do país, exceto três detidos por terrorismo. Ainda assim, as condições das prisões cubanas são péssimas. Os presos são mantidos por longos períodos em solitárias. As visitas são restritas e tratamento médico é negado.

 

Com Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

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