A pedido de Lula, Espanha tentará mediar crise em Honduras

Ministério de Relações Exteriores espanhol diz que já está mantendo consultas informais com governo interino

Anelise Infante, BBC

25 de setembro de 2009 | 11h06

O governo da Espanha anunciou nesta sexta-feira, 25, que vai atender a um pedido do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e tentar intermediar a crise política em Honduras. Segundo o ministério de Relações Exteriores da Espanha, o Brasil solicitou ajuda urgente ao primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero durante a recente Assembleia Geral da ONU.

As negociações para uma solução dialogada já começaram, segundo o governo espanhol. Em nota à imprensa, o ministro Miguel Ángel Moratinos afirmou que a Espanha "está mantendo consultas informais com as autoridades interinas (de Honduras) e com personalidades da vida política e social do país para abrir um diálogo".

Segundo o ministério de Relações Exteriores da Espanha, Lula e Zapatero tiveram um encontro bilateral na terça-feira passada em um hotel em Nova York, a pedido do Itamaraty, para tratar especificamente sobre a crise de Honduras.

A assessoria do ministério afirmou que o "governo Lula fez um apelo à diplomacia espanhola porque a situação em Tegucigalpa é preocupante e os dois Estados (Brasil e Espanha) têm posturas comprometidas com a estabilidade da região".

Na reunião, Zapatero teria se comprometido a dialogar com o governo interino e ajudar nas negociações ao lado do Itamaraty e do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mediador designado pela Organização de Estados Americanos (OEA).

Segundo o governo da Espanha, entre as bases da negociação entraria a proposta da realização de novas eleições "dentro da legalidade". O objetivo da intermediação, de acordo com a nota oficial, é buscar "uma solução dialogada, pacífica e política que permita restaurar a ordem constitucional".

O ministro espanhol disse ainda que "tanto a Espanha quanto o Brasil continuarão fazendo firmes chamadas às autoridades (interinas) para que respeitem a integridade da embaixada brasileira em Tegucigalpa e ao presidente Manuel Zelaya".

Moratinos, que tem conversado frequentemente com Zelaya por telefone, demonstrou preocupação pelas condições de sobrevivência dentro da embaixada pela falta de água e alimentos que ocorreu na segunda-feira.

 

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