FOTO CRISTIANO DIAS/ESTADÃO
FOTO CRISTIANO DIAS/ESTADÃO

A rendição de Guadalajara

Pesquisador da Universidade de Guadalajara, explica que o Estado de Jalisco se transformou na principal rota de distribuição de drogas sintéticas

Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2018 | 04h00

Há cerca de dez anos, Guadalajara era um oásis. Na segunda maior cidade mexicana viviam os principais narcotraficantes do México. Em meio à onda de violência desatada pela guerra às drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón, em 2006, a capital de Jalisco sempre havia sido poupada. 

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O ambiente mudou com a presidência de Enrique Peña Nieto, durante a qual o cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) cresceu e se tornou a organização criminosa dominante no México. Com métodos extremamente violentos, o CJNG é capaz de organizar ações de terror no meio da tarde, executar atentados contra autoridades e derreter cadáveres em ácido. 

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Quem comanda o cartel é Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, um ex-catador de abacates que virou líder do crime organizado e homem mais procurado pela DEA, a agência antidrogas dos EUA. Um dos massacres que levam a assinatura do CJNG é o assassinato de três estudantes de cinema: Javier Salomón Aceves, Jesús Daniel Díaz e Marco Francisco Ávalos. Em março, eles foram sequestrados quando gravavam um curta-metragem em uma cabana de Tonalá, nos arredores de Guadalajara. Eles foram assassinados e seus corpos foram dissolvidos em ácido. 

Alfonso Partida Caballero, pesquisador da Universidade de Guadalajara, explica que o Estado de Jalisco se transformou na principal rota de distribuição de drogas sintéticas, especialmente pela proximidade com os portos de Manzanillo e Lázaro Cárdenas. “Com a violência, os narcotraficantes e seus parentes se mudaram para a Cidade do México”, disse Caballero ao Estado. 

De acordo com ele, o negócio ilícito se fundiu tanto com a economia legal que é difícil combater um sem afetar o outro. “Um exemplo disso é a forma como eles lavam dinheiro”, conta Caballero. “Eles investem milhões de dólares na plantação de abacates, agaves ou em qualquer cultivo. É muito difícil comprovar a origem ilegal de produtos da terra.”

O economista Edgardo Buscaglia, da Universidade Columbia, nos EUA, estima que 40% do PIB mexicano esteja vinculado ao crime organizado. Segundo ele, 78% dos setores da economia já foram infiltrados pelos cartéis, principalmente a mineração, a agropecuária e a indústria farmacêutica.

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