Abstenção é maior obstáculo a 3º mandato de Uribe, diz vice

Para Santos, aprovar referendo em Corte Constitucional é mais fácil que levar 7 milhões de colombianos às urnas

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2009 | 08h56

Garantir que 25% dos colombianos votem no referendo sobre uma reforma constitucional será o passo mais difícil a ser superado pelo presidente Álvaro Uribe para alcançar seu terceiro mandato. A avaliação é do vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón, que ontem conversou com o Estado sobre a política interna e a polêmica em torno das bases militares colombianas que serão usadas pelos Estados Unidos.

 

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Uribe obteve do Congresso a autorização para convocar um referendo no qual os colombianos decidirão se o presidente pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Mas, antes, a Corte Constitucional julgará a legalidade da proposta.

 

De acordo com o vice-presidente, o maior desafio será levar 25% dos eleitores - equivalente a 7 milhões - às urnas. O número é necessário para validar o referendo. Para ter a reforma aprovada, Uribe precisará de maioria simples: 50% dos votos mais um.

 

"Em 2006, Uribe, em seu ponto de máxima popularidade, obteve 7,2 milhões de votos. Agora, ele terá de convencer um número de colombianos maior que este a votar", disse o vice-presidente. A tática da oposição será incentivar a abstenção para evitar a validação do referendo, independentemente do resultado da consulta.

 

Eleito pela primeira vez em 2002, Uribe já conseguiu mudar a Constituição para reeleger-se em 2006. Depois disso, o presidente optou pelo silêncio em relação a seus planos de mais um mandato. Ele afirma que apenas sairá como candidato se a proposta for aprovada por um referendo.

 

No entanto, para o vice-presidente, a possibilidade de Uribe reapresentar-se são claras. "Se a Corte aprovar e se a população apoiar, não vejo por que não possa seguir", disse. Questionado sobre se permaneceria ao lado de Uribe para um terceiro mandato, Santos preferiu não responder.

 

De acordo com o vice-presidente, uma data realista para o referendo seria entre fevereiro e março, dando possibilidades para que Uribe possa participar das eleições em maio.

 

Sobre a polêmica das bases militares que serão usadas pelos americanos, Santos insistiu que a Colômbia não tinha de consultar os demais países da região antes de tomar a decisão de cedê-las. "Essa era uma questão de soberania", disse. "O presidente Uribe foi à reunião da Unasul responder às questões e esclarecer tudo, mas não tínhamos de consultar ninguém", afirmou.

 

Segundo ele, os países da região não devem se preocupar. "Não se trata de uma ameaça a ninguém", declarou. "O acordo garante que as bases somente serão usadas para ações dentro do território colombiano. Qualquer atuação fora das fronteiras está proibida."

 

Além disso, Santos fez questão de reafirmar que o acordo é praticamente o mesmo do Plano Colômbia e rejeitou as acusações de que a aproximação entre Washington e Bogotá poderia desestabilizar a América do Sul.

 

"Vamos aumentar nossa atuação contra o narcotráfico e a guerrilha. Isto será um fator positivo para todos. Nossos vizinhos precisam encarar essa luta como algo positivo para eles também, já que o problema começa a cruzar as fronteiras."

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