David Fernandez/EFE
David Fernandez/EFE

Academia Militar vira Hollywood bolivariana

Porta lateral concentrou os mais animados simpatizantes de Hugo Chávez e serviu de entrada para presidentes, primeiros-ministros, príncipes e atores

Leonencio Nossa, enviado especial de O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 00h01

CARACAS - Uma porta lateral da Academia Militar concentrou os mais animados simpatizantes do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, num dos velórios mais longos da história recente da América Latina. Era por ali, distante da entrada principal, que chegavam e saíam presidentes, primeiros-ministros, príncipes e atores.

A entrada de José Mujica, presidente do Uruguai, foi digna da chegada de um artista para a festa do Oscar, transformando a Academia Militar em uma Hollywood bolivariana.

Surpreso com a ovação do público, Mujica gastou um bom tempo em acenos. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi outro que ganhou aplausos demorados, causando nervosismo em seus inúmeros seguranças. Assim como Mujica, Ahmadinejad fez questão de responder à recepção do público.

Diferentemente do uruguaio e do iraniano, o presidente de Cuba, Raúl Castro, não teve o nome pronunciado em coro pela multidão, que optou por gritar o nome de Cuba. O ator americano Sean Penn também caiu nas graças do público. Na eleição presidencial de 2012, ele subiu ao palanque de Chávez.

Menos sorte tiveram chefes de Estado e de governo de países caribenhos, vez ou outra confundidos com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve somente no velório, na noite de quinta-feira. O príncipe espanhol Felipe de Bourbon subiu a escadaria em meio ao silêncio da multidão. Em 2007, o pai dele, o rei Juan Carlos, mandou Chávez se calar num evento de chefes de Estado.

Os astros do universo bolivariano construído por Chávez deram status de fãs para pessoas que nunca entraram numa sala de cinema e nem tinham energia elétrica até bem pouco tempo. É o caso da aposentada Aurelia Saez, de 65 anos, que se espremeu perto do alambrado para ver os amigos do comandante. Ela passou toda a manhã e tarde de ontem sem comer.

"O comandante é um líder mundial. Veja quanta gente importante chegou para ver seu corpo", disse a aposentada, que veio da cidade de Barquisimeto, uma das mais populosas da Venezuela. Mãe de dez filhos, Aurelia disse que, durante o governo Chávez, pôde finalmente construir uma casa. "Antes, era impossível."

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