Fernando Vergara/AP
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Acordo com as Farc na Colômbia não encerraria violência, diz estudo

Presidente Juan Manuel Santos está fazendo a maior aposta política da sua carreira

Reuters

25 de setembro de 2012 | 08h52

BOGOTÁ - Um eventual acordo de paz do governo colombiano com a guerrilha Farc não encerraria a violência no país, uma vez que combatentes renegados e outras quadrilhas financiadas pelo tráfico de drogas continuariam confrontando as forças do governo, disse uma influente entidade de estudos nesta terça-feira, 25.

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Chegando à metade do seu mandato de quatro anos, o presidente Juan Manuel Santos está fazendo a maior aposta política da sua carreira, ao iniciar uma negociação que pretende encerrar quase cinco décadas de uma guerra civil que já deixou dezenas de milhares de mortos.

O processo, aberto após dois anos de discussões secretas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), começa no mês que vem na Noruega, e será posteriormente transferido para Cuba.

"Temores sobre negociações de paz são taticamente exagerados por seus oponentes. Mas quem promove uma solução política também precisam manter as expectativas sob controle. Um acordo não eliminaria a violência", disse o International Crisis Group (ICG), com sede em Bruxelas.

"Provavelmente ele fracassaria em convencer alguns elementos das Farc a deporem armas, notavelmente aqueles que estão profundamente envolvidos com o comércio de drogas. Ainda haveria ameaças significativas à segurança por parte de grupos armados ilegais arraigados nos grupos paramilitares oficialmente desmobilizados, e por parte de outras quadrilhas criminosas organizadas."

Dez anos após a última tentativa de acordo com as Farc, Santos aplainou o terreno para que o novo diálogo tenha sucesso. Uma das medidas para isso foi devolver terras a camponeses que haviam sido desalojados por causa do conflito.

Em um relatório de 32 páginas, o ICG diz que a Colômbia provavelmente tem mais de 50 por cento de chance de ter sucesso no novo processo de paz, já que o governo desta vez enfrenta menos obstáculos --a guerrilha está notoriamente enfraquecida-- e tem o apoio da maioria dos colombianos.

Mas uma fonte colombiana de inteligência disse à Reuters que alguns comandantes das Farc no sul da Colômbia --onde o solo é perfeito para o cultivo da coca, matéria-prima da cocaína-- são contra o processo de paz.

O governo e a guerrilha estabeleceram uma pauta para as negociações que inclui os direitos das vítimas, a posse fundiária em zonas rurais e a produção e tráfico de cocaína.

O sucesso do processo irá determinar também se Santos concorrerá à reeleição em 2014, e se a sua coalizão de governo irá se manter unida.

"Envolver-se em negociações de paz com as Farc é uma aposta ousada. O fracasso abalaria significativamente o capital político do governo Santos e abriria caminho para que radicais voltem ao poder nas eleições de 2014, fechando durante muito tempo a janela para uma solução negociada", disse o relatório.

"Para as Farc, o fracasso provavelmente teria graves consequências, especialmente se elas tivessem a maior parte da culpa. Tendo perdido uma chance que possivelmente será a última para encerrar o conflito com um acordo político e um reconhecimento da sua luta, (a guerrilha) poderia antever um futuro de completa irrelevância política, mais pressão militar pesada e crescentes tensões internas."

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