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Acordo está cada vez mais distante, diz comissão de Micheletti

Governo de facto declarou que ambas as partes apresentaram propostas que não atendem o 'Acordo San José'

Reuters,

21 de outubro de 2009 | 22h16

O governo de facto de Honduras disse na quarta-feira que as negociações políticas no país estão cada vez mais distantes de resultarem em um acordo com seus rivais, que insistem na recondução do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder.

  

Nas últimas semanas ambas as partes passaram horas em torno da mesa de negociações e chegaram a algum consenso, mas não sobre o principal ponto em discussão -- a volta de Zelaya à Presidência, principal item do chamado "Acordo de San José", proposto há meses pelo mediador costarriquenho Óscar Arias.

 

"Cabe assinalar que ambas as partes apresentaram propostas que estão fora do Acordo de San José", disse o governo de facto em nota. "Ambas as partes concordam que esse documento serve de base para as conversas que hoje mantemos, mas que a solução dessa crise será 'feita em Honduras'".

 

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Zelaya, um pecuarista de 57 anos, foi deposto por militares em 28 de junho e expulso do país por ter supostamente violado a Constituição com manobras para disputar a reeleição.

 

Há um mês ele voltou clandestinamente do exílio, e desde então se refugia na Embaixada do Brasil, que está cercada por policiais e militares com ordens para prendê-lo.

 

As negociações para por um fim à crise política foram retomadas há algumas semanas, mas alguns analistas dizem que o presidente de facto, Roberto Micheletti, está tentando protelar o processo para se manter no governo até as eleições presidenciais de 29 de novembro, quando ele espera virar a página e dar por encerrada a crise.

 

"Nós obviamente achamos que isso (a volta de Zelaya) não é factível, partimos (do princípio) de que houve violações à lei", disse um dos representantes de Micheletti, Arturo Corrales.

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA), que promove o processo de diálogo no país centro-americano, se mostra preocupada com a falta de avanços.

 

"Uma das partes apresentou uma proposta que inclui um tema não concluído no Acordo de San José, que pretende forçar uma legitimação do (golpe) ocorrido em 28 de junho", disse o secretário-geral José Miguel Insulza.

 

"Essa pretensão torna inviável um bom resultado do diálogo", acrescentou ele, após apresentar um relatório sobre a situação de Honduras numa sessão do Conselho Permanente da OEA em Washington.

 

Rock na embaixada

 

Com a aproximação da eleição de novembro, o governo de facto parece endurecer sua postura contra Zelaya.

 

Na madrugada de quarta-feira, colocou rock a todo volume e barulho de sinos nos arredores da embaixada brasileira, como forma de pressionar Zelaya e seus seguidores, segundo uma testemunha da Reuters que está no local.

 

O governo de facto criticou Insulza por seus comentários e pediu a ele "melhor juízo e maior prudência", e que se mantenha à margem das negociações.

 

Em nota divulgada horas mais tarde, o governo de facto disse que na segunda-feira passada um avião cargueiro venezuelano teria pousado no território de Honduras com armas e drogas -- numa acusação que reforça o mal-estar das elites do país com a aliança entre Zelaya e o governo de Caracas.

 

O governo de facto também determinou que hondurenhos que desejarem se manifestar deverão solicitar autorização à polícia com 24 horas de antecedência, esclarecendo quem são os responsáveis e qual será a rota e o horário de eventuais passeatas.

 

"O problema é que continuam os gestos hostis e continuam os ruídos noturnos e continuam as manifestações e continuam as provocações, e isso é preocupante", disse Insulza na sessão da OEA em Washington.

 

Em um gesto de pressão ao governo de Micheletti, os Estados Unidos revogaram vistos de hondurenhos que participam ou apoiam o governo de facto, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Charles Luoma-Overstreet.

 

A comunidade internacional condenou o golpe, e por causa dele Honduras foi suspensa da OEA, os EUA cortaram ajuda militar e organismos financeiros restringiram o crédito ao país.

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