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Acordo injeta US$ 1,9 bi aos cofres de Caracas

República Dominicana salda dívida de compra de petróleo da PDVSA a preço preferecial com mais de 50% de desconto

Felipe Corazza - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2015 | 05h00

CARACAS - A República Dominicana pagou quase a totalidade de suas dívidas com a estatal venezuelana de petróleo PDVSA com um desconto de mais de 50%. O acordo foi confirmado na sexta-feira pelo ministro de finanças dominicano, Simon Lizardo. 


A iniciativa da negociação, tomada pelo governo da Venezuela, busca capitalizar o país em meio à atual crise econômica e social vivida pelo país. Os dominicanos pagaram cerca de US$ 1,9 bilhão para saldar 98% da dívida, adquirida ao longo de uma década com a compra de petróleo em condições preferenciais sob a regulação da Petrocaribe - criada pela Venezuela. Com a medida, as reservas de Caracas subiram para US$22,5 bilhões, o maior valor desde novembro.



Para realizar o pagamento imediato, o governo dominicano conseguiu um abatimento de 52% - o montante total era de pouco mais de US$ 4 bilhões.


A queda no preço do petróleo no mercado internacional aprofundou os problemas econômicos venezuelanos. A cesta venezuelana fechou a semana cotada a pouco mais de US$ 38 por barril, preço muito abaixo da meta mínima de US$ 60 estabelecida na lei orçamentária do país para 2015 - mínimo projetado pelo governo para manter projetos custeados pela PDVSA.


As exportações de petróleo, responsáveis por 96% das receitas em dólar da Venezuela, caíram 4% em 2014, de acordo com números divulgados pelo ministro do Petróleo, Asdrúbal Chávez, primo do ex-presidente Hugo Chávez. A dívida total de outros países com a Petrocaribe, antes do pagamento da República Dominicana, era calculada pelo governo em cerca de US$ 20 bilhões. 


Outro problema para a PDVSA, de acordo com José Toro Hardy, economista e ex-diretor da estatal, é o contrabando de gasolina. “Não se trata de impor controle aos consumidores, mas impor controle aos caminhões que saem carregados de gasolina da PDVSA e são desviados. Mas o governo se nega a fazer isso. Prefere controlar os consumidores”, afirmou o especialista ao Estado.

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