Acusado de tortura na Argentina foi morto para se calar--juíza

O ex-oficial da guarda costeiraque foi encontrado morto na prisão dias antes da divulgação deseu veredicto no julgamento por tortura pode ter sidoassassinado por queima de arquivo, afirmou uma juíza. Hector Febres, réu num caso de violação dos direitoshumanos durante a ditadura argentina (1976-1983), morreu no dia10 de dezembro envenenado por cianeto na suíte em que eramantido preso, num complexo da guarda costeira. A juíza Sandra Arroyo determinou a prisão de dois oficiaisda guarda costeira que serviam de carcereiros, acusando-os depermitir a entrada dos assassinos, disse uma fonte judicial àReuters. Segundo a juíza, o motivo do crime foi "silenciar alguémque tentou revelar dados ou informação sobre os fatos quecercam as violações de direitos humanos durante o últimogoverno militar". Febres estava sendo julgado pela tortura de prisioneirospolíticos no centro de detenção da Escola de Mecânica Naval, ouEsma, durante a ditadura. Havia especulações da imprensa de queFebres tivesse se suicidado. A expectativa é que ele seriaconsiderado culpado no veredicto, que seria divulgado quatrodias depois de sua morte. O ex-oficial tinha alegado inocência no julgamento, masdissera a familiares e a um padre que pretendia falar noveredicto sobre crimes cometidos pelo regime militar, porqueestava se sentindo um bode expiatório, segundo a resolução dajuíza. Havia a possibilidade de Febres estar planejando falarsobre o que aconteceu com os bebês nascidos na prisão, adotadosilegalmente. "Há evidências de que ele tenha tomado a decisão de revelarseu papel na repressão ilegal e talvez o destino das criançasnascidas na prisão", afirmou a juíza, segundo a fonte. As autoridades mantiveram um silêncio praticamente absolutosobre as violações dos direitos humanos durante a ditadura, emque, segundo estimativas oficiais, cerca de 11 mil pessoasmorreram. Entidades de defesa dos direitos humanos avaliam onúmero de mortos em 30 mil. Em 2006, uma testemunha de um outro julgamento sobreviolações de direitos humanos -- que levou à pena de prisãoperpétua para um ex-comissário da polícia -- desapareceu, noque foi encarado como uma tentativa de intimidar testemunhas emjulgamentos futuros.

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