Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Advogado de americanos detidos no Haiti deixa o caso

Grupo de missionários presos na fronteira é acusado de sequestrar crianças e formação de quadrilha

estadao.com.br,

08 de fevereiro de 2010 | 08h37

O advogado haitiano que representava os dez americanos acusados de sequestro por tentar levar 33 crianças do Haiti para a República Dominicana se desvinculou do caso, conforme informou o canal de notícias CNN na noite do domingo, 7.

 

Edwin Coq disse que não seria mais o representante dos americanos. Não ficou esclarecido se já havia um substituto. O advogado disse que tentou libertar os americanos, mas estava ciente dos problemas legais envolvendo o grupo. Coq disse ter sido contratado pelo marido de uma das americanas detidas em Porto Príncipe.

 

Os dez missionários, incluindo Laura Silsby, líder do grupo, foram formalmente acusados na quinta-feira por sequestro e formação de quadrilha. Coq disse que audiências estavam marcadas para esta segunda e para a terça-feira. Se condenados por sequestro, poderiam ser sentenciados à prisão perpétua; já formação de quadrilha implica em uma pena de três a nove anos.

 

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Os americanos foram detidos há uma semana quando tentaram levar 33 crianças do Haiti para a República Dominicana sem a documentação necessária. Eles alegam que levariam as crianças para um hotel e, posteriormente, construiriam um orfanato para abrigá-las. Segundo o grupo, o objetivo era ajudar as crianças a deixar o Haiti, que foi atingido por um terremoto no dia 12 de junho que devastou o país.

 

Alguns dos americanos detidos disseram pensar que estavam ajudando órfãos, mas os intérpretes do grupo disseram à CNN na semana passada que algumas crianças foram deliberadamente entregues por seus pais ao grupo, que prometia uma vida melhor. Os pais também receberam a garantia de que poderiam ver seus filhos quando quisessem.

 

O cônsul dominicano disse ter alertado os americanos de que não seria possível atravessar a fronteira sem os documentos necessários. Segundo o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, o caso será encerrado em três meses e deverá ser decidido pro júri popular.

 

O premiê também disse que o caso pode ir para uma corte nos EUA, mas informou que para isso, o pedido deve vir do governo americano. "Até agora, porém, não recebi nenhum pedido", finalizou.

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