Advogado venezuelano envolve Chávez em 'caso da mala'

Maleta com US$ 800 mil seria destinada à campanha eleitoral da chefe de Estado argentina, Cristina Kirchner

Efe,

10 de setembro de 2008 | 01h46

O advogado venezuelano Moisés Maiónica envolveu nesta terça-feira, 9, o presidente Hugo Chávez no caso da maleta que foi confiscada e continha US$ 800 mil. Segundo a Promotoria Federal dos Estados Unidos, a mala seria destinado à campanha eleitoral da atual chefe de Estado argentina, Cristina Kirchner. Maiónica é um dos cinco acusados de conspirar e atuar como agente do governo venezuelano nos EUA. Segundo ele, Chávez teria encarregado a Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção (Disip) que assumisse o caso quando surgiu o escândalo e depois que funcionários da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) não conseguiram controlá-lo. "(Henry) Rangel Silva (diretor da Disip) me disse que o presidente estava irritado com a situação e pediu a ele a solução do assunto, do ponto de vista operacional", testemunhou Maionica em um tribunal de Miami. O advogado, que se declarou culpado em janeiro após um acordo com os promotores federais, testemunhou nesta terça-feira no julgamento contra o empresário Franklin Durán, o único dos acusados no caso que ainda se diz inocente. Quando o promotor federal Thomas Mulvihill lhe perguntou a quem se referia quando dizia presidente, Maionica disse: "a Hugo Chávez". Segundo o acusado, no início, o caso estava nas mãos do presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, mas o substituíram no "controle da situação". No entanto, continuaria vinculado no caso se Henry Rangel Silva requeresse, acrescentou. A mala foi confiscada junto ao venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson, em um aeroporto de Buenos Aires, em agosto de 2007. Antonini chegou com o dinheiro em um avião alugado por uma companhia estatal argentina para que seus funcionários retornassem de Caracas junto a diretores da PDVSA. O promotor Mulvihill disse nesta terça-feira que existem provas de que a mala era destinada à campanha eleitoral de Cristina Kirchner e que o dinheiro procedia do governo da Venezuela. "O governo da Venezuela estava tentando influir na campanha eleitoral da Argentina", disse Mulvihill na apresentação dos argumentos iniciais no julgamento em Miami contra Franklin Durán por sua suposta atuação como agente encoberto do Executivo venezuelano. O promotor afirmou que, em declarações obtidas pelo FBI (polícia federal americana), Durán e outros processados neste caso disseram claramente que a mala com o dinheiro eram fundos para a campanha de Cristina.

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