Advogados da Colômbia irão denunciar Uribe por traição à pátria

Segundo ONG, ex-presidente comprometeu soberania nacional ao firmar acordo militar com os EUA

Reuters,

19 de agosto de 2010 | 23h22

BOGOTÁ- Um grupo de advogados anunciou nesta quinta-feira, 19, que denunciará o ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe por traição à pátria, depois que um tribunal deixou sem efeito um acordo militar firmado com os Estados Unidos que enfureceu vários governos de esquerda da América Latina.

 

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O novo presidente, Juan Manuel Santos, que como ministro de Defesa desenhou o acordo, rechaçou o anúncio do Coletivo de Advogados Alvear Restrepo e defendeu a gestão de seu antecessor.

 

A Corte Constitucional da Colômbia suspendeu na terça o convênio de 2009 que autorizava militares americanos a usarem sete bases do país para operações contra o narcotráfico e o terrorismo, ao considerar que ele precisa ser aprovado pelo Congresso.

 

"Ao desconhecer as obrigações constitucionais e legais, ao comprometer a soberania nacional, o ex-presidente Uribe e seus ministros de Defesa, de Relações Exteriores e do Interior procederam arbitrária e unilateralmente", disse o grupo de advogados.

 

O grupo, uma ONG de direitos humanos, processou o acordo militar, mas o tribunal não se pronunciou sobre sua legalidade jurídica.

 

Para a organização, Uribe e seus ministros cometeram os crimes de abuso de autoridade e traição à pátria.

 

O coletivo anunciou que solicitará uma investigação do caso do ex-presidente à Comissão de Acusações da Câmara de Representantes.

 

Respaldo a Uribe

 

Santos rechaçou a intenção de denunciar seu antecessor e qualificou de injustas e infundadas as acusações do grupo de advogados.

 

"Quem acredita que firmar um acordo para incrementar e fazer mais efetiva a colaboração bilateral contra o narcotráfico e o terrorismo possa ser considerada como traição à pátria? E digo mais: como ministro de Defesa, fui eu que iniciei a negociação desse acordo", disse o presidente em um ato de governo.

 

"Assim, senhores denunciantes, se quiserem, podem me incluir na denúncia. Me sentiria muito honrado! Todo meu respaldo ao presidente Uribe e a seu gabinete, que trabalharam nesta tema com absoluta e total transparência e com o espírito patriota que sempre os caracterizou", acrescentou.

 

Após o acordo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou o congelamento do comércio com Bogotá, ao considerar que a presença de militares americanos em bases do país vizinho representava uma ameaça para a soberania venezuelana.

 

As relações diplomáticas entres Colômbia e Venezuela foram restabelecidas há uma semana, depois que Chávez as rompeu em julho após denúncias de Uribe sobre a presença de guerrilheiros em território venezuelano, com a suposta tolerância de Caracas.

 

Os Estados Unidos são o principal aliado da Colômbia na luta contra o narcotráfico e os grupos armados ilegais ligados com essa atividade e desde o ano 2000 já enviou mais de US$ 6 bilhões a Bogotá.

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