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Afeganistão pede ajuda ao Brasil contra o ópio

País asiático busca apoio técnico para substituir cultivo da papoula no país

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2009 | 07h23

O governo afegão procurou recentemente o Ministério da Agricultura do Brasil para pedir cooperação técnica no campo como forma de combater o cultivo de papoula - matéria-prima do ópio - e, dessa forma, debilitar a insurgência taleban, revelou ao Estado Mohammad Masoom Stanekza, conselheiro do presidente Hamid Karzai. "Queremos uma aproximação com o Brasil para aprender como aproveitar nosso potencial agrícola", afirmou.

 

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Segundo ele, a embaixada afegã em Washington já manteve contatos com a chancelaria brasileira e o ministério, e o plano agora é enviar uma missão para avaliar possibilidades de cooperação com a Embrapa. "Sabemos que a produção no Brasil e o solo são bastante diferentes dos nossos, mas vemos como um país em desenvolvimento sofreu uma revolução graças à agricultura."

 

O Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo e o negócio financia parte das operações do Taleban. Há oito anos, os EUA derrubaram o regime extremista do poder, mas até hoje não detiveram a violenta insurgência do grupo. A guerra no Afeganistão se transformou em um dos principais desafios do governo de Barack Obama.

 

"Por ano, US$ 100 milhões vindos da produção de ópio são destinados ao Taleban", afirmou. "Temos uma sociedade conservadora, mas não de radicais. Precisamos de uma estrutura econômica que permita separar os jovens desses grupos radicais. A agricultura é o meio ideal para substituir o cultivo da papoula e acabar com o círculo de violência."

 

O ex-ministro de Relações Exteriores do Paquistão Najmuddin Shaikh alerta que o ópio está destruindo não só o Afeganistão, mas também a região. Segundo ele, 50% do ópio exportado pelo Afeganistão passa pelo Irã e 30%, pelo Paquistão. "Hoje, a sociedade iraniana é a mais afetada pelo vício, mesmo que ninguém comente", disse.

 

Para o paquistanês, a ideia de focar no desenvolvimento econômico afegão é a saída para a crise. "Com soldados, a aliança ocidental que atua no Afeganistão não está ganhando nem corações nem mentes", afirmou.

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