Agricultores confirmam liberação de estradas na Argentina

Termina a paralisação comercial do campo em um conflito com o Governo que já dura mais de cem dias

Efe

21 de junho de 2008 | 16h49

Produtores rurais e transportadoras confirmaram neste sábado, 21, que todas as estradas da Argentina estão liberadas, terminada a paralisação comercial do campo em um conflito com o Governo que já dura mais de cem dias. "Já está tudo liberado. O país está como o Governo nacional pediu. Espero que agora o Governo nacional e, principalmente, o Congresso estejam à altura" das circunstâncias, disse o dirigente da Federação Agrária Argentina (FAA), Alfredo de Angeli, em entrevista a uma rádio. Assim como Angeli, o presidente da Confederação Argentina de Transportes Automotores de Cargas (Catac), Rubén Agugliaro, confirmou que já foram retirados os bloqueios que as transportadores de cereais faziam para reivindicar um acordo entre o Governo e os produtores para voltar a trabalhar. A maior parte dos bloqueios foi suspensa ontem, mas ainda havia algumas interdições parciais na província de Santa Fé, as quais começaram a ser levantadas esta manhã, depois de as quatro maiores associações agrárias do país terem finalizado um boicotr à comercialização de grãos para a exportação. Angeli lembrou que na próxima segunda os produtores rurais acamparão em frente ao Parlamento para pressionar os legisladores a atenderem os pedidos do setor. Será neste dia que os parlamentares começarão a discutir o novo projeto de lei enviado pelo Governo para ratificar um novo esquema tributário à exportação de grãos, motivo que detonou o conflito. O dirigente afirmou que o protesto "se mudará" para a capital do país, um dos principais exportadores mundiais de grãos. Já a líder da opositora Coalizão Cívica, Elisa Carrió, disse que seu partido impulsionará a "revogação" do novo sistema de impostos e sustentará "uma posição clara e distante do Governo". Por sua vez, Federico Pinedo, um dos líderes do opositor PRO no Congresso, declarou que sua legenda votará na proposta em torno da qual houver "consenso suficiente" e buscará "os meios mais justos para solucionar o conflito". "É enorme a quantidade de pessoas que quer o fim do conflito. Temos a sensação de que o Congresso está perante uma situação histórica", refletiu Pinedo. Por outro lado, o presidente da bancada governista na Câmara dos Deputados, Agustín Rossi, afirmou hoje que haverá um "debate transparente e respeitoso" do projeto enviado esta semana pela presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner. "Todo projeto de lei é suscetível a modificações. Depende do debate nas comissões e do consenso que vai sendo alcançado em cada uma das temáticas", disse Rossi, do Partido Justicialista (PJ, peronista). A imprensa local afirma hoje que 50 mil postos de trabalho estão ameaçados pela falta de insumos e produtos em indústrias e comércios.

Tudo o que sabemos sobre:
Argentinagreveprodutores

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.