Ainda falta muito para resolver impasse equatoriano, diz OEA

Secretário geral afirma que reunião entre presidentes do Equador e Colômbia seria fundamental para a questão

Efe,

06 de março de 2008 | 10h06

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou nesta quinta-feira, 6, que, apesar do acordo conseguido no organismo, que reconheceu que a Colômbia violou a soberania do Equador, ainda falta muito para resolver o impasse entre os dois países.  Chávez protegeria nº 1 das Farc, diz rádioChávez acusa Uribe de 'crime de guerra'Lula classifica de madura decisão da OEA sobre conflito regionalResolução diz que Colômbia violou soberania do EquadorColômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região  'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA  José Miguel Insulza, que liderará uma missão que examinará no terreno os detalhes do incidente, assinalou que o interesse do Conselho Permanente da OEA "era tratar do tema sem botar lenha na fogueira", ajudando a reduzir o nível da tensão entre ambos os países. "O problema não está resolvido, e teremos que trabalhar muito para solucioná-lo", ressaltou Insulza, a respeito da crise que explodiu no último fim de semana, quando o número dois da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), conhecido como Raúl Reyes, foi morto em um ataque das tropas colombianas em território equatoriano. Insulza foi perguntado sobre a aparente ambigüidade da declaração aprovada nesta quarta-feira, que apesar de reafirmar que o território de um Estado é "jurisdição inviolável", não condenou a Colômbia por sua ação em solo equatoriano. "Era preciso declarar que houve uma violação do artigo 21 da carta da OEA; mas, ao mesmo tempo, o Conselho (Permanente) quis buscar uma forma de aproximação, e provavelmente por isso evitou as palavras mais duras", disse. Segundo o político chileno, seria fundamental conseguir uma reunião bilateral entre os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Equador, Rafael Correa, já na Cúpula do Grupo do Rio, que será realizada na República Dominicana entre quarta e sexta-feira. Insulza admitiu, no entanto, não ter nenhuma segurança de que o encontro vá se concretizar. Ele ressaltou, entretanto, que uma reunião ajudaria a OEA em seu objetivo de reaproximar os dois países. "Teremos que trabalhar muito: primeiro, para resolver o problema provocado entre Equador e Colômbia, e depois para examinar as causas que estiveram por trás dele", disse. Insulza também ressaltou a necessidade de se reduzir a retórica inflamada na região, em alusão às declarações do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Não há ameaça de perigo iminente. Mas para encontrar uma solução para este problema, o melhor a fazer é diminuir o tom de todas as declarações", indicou. Acordo na OEA Em troca da admissão formal de Bogotá, o Equador desistiu de pedir sanções por parte da OEA contra a Colômbia. O presidente equatoriano, Rafael Correa, pediu, entretanto, uma condenação formal e contundente do ataque colombiano. Como parte do acordo, a Colômbia reiterou seu pedido de desculpas por invadir o território equatoriano durante o ataque de sábado contra um acampamento das Farc e aceitou a convocação de uma missão verificadora da OEA que irá aos dois países para analisar o incidente. A missão liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e quatro embaixadores, entre eles os do Brasil e do Panamá, viajará à fronteira entre a Colômbia e o Equador para colher informações e fazer um relatório, que será apresentado durante a reunião de chanceleres da organização, dia 17 em Washington. O Conselho Permanente deixou para os chanceleres das Américas a palavra final sobre a crise entre a Colômbia e o Equador, que levou Quito a romper relações diplomáticas com Bogotá. O embaixador brasileiro na OEA, Osmar Chohfi, comemorou o acordo para a resolução, após intensas negociações. De acordo com o embaixador, os dois lados tiveram de ceder para chegar a um acordo aceitável. "O Equador não conseguiu tudo que desejava, mas conseguiu os pontos que considerava fundamentais. E a Colômbia tampouco conseguiu tudo que queria. Mas, ao reconhecer que violou território equatoriano, preservou certa compreensão para seus problemas." Chohfi disse esperar agora que nem Quito nem Bogotá tomem ações que levem a novo aumento das tensões até a reunião dos chanceleres no dia 17.  Na reunião de terça-feira da OEA, a Colômbia defendeu-se dizendo que havia agido em sua defesa e contra um grupo terrorista. Segundo funcionários colombianos, a estratégia era abrigar-se nas Resoluções 1.368 e 1.373 do Conselho de Segurança da ONU - que advertem aos países das conseqüências de dar abrigo a grupos terroristas -, usadas para justificar os ataques dos EUA e da Otan no Afeganistão, como resposta aos atentados do 11 de Setembro.  O consenso entre os dois países foi alcançado após "14 horas de negociações", disse o embaixador do Panamá na OEA, Aristides Royo, que liderou o grupo de trabalho para obter um acordo sobre a resolução. A embaixadora do Equador, María Isabel Salvador, assim como o da Colômbia, Camilo Ospina, mostrou-se satisfeita com o acordo. Ela considerou que a resolução "foi um êxito para o Equador" e disse que esse era um "momento histórico" no sistema interamericano.  O embaixador da Venezuela na OEA, Jorge Valero, mostrou-se satisfeito com o consenso alcançado e disse que, apesar de não conter a palavra "condenação", estabelece um precedente ao evidenciar que o território de um Estado é inviolável. (Com agências internacionais)

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