Ajuda do governo não basta, dizem ruralistas argentinos

Cristina destinou US$ 70,9 mi a produtores afetados pela seca; para o campo, ações 'são manchetes para jornais'

Efe,

10 de outubro de 2008 | 15h19

Dirigentes rurais da Argentina disseram nesta sexta-feira, 10, que o pacote de ajuda econômica anunciado na quinta pelo governo não resolve os problemas do setor nem contempla as exigências que fez o campo em seu último locaute. O governo insistiu em dizer que "a porta" da secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação "está aberta" para o diálogo. Veja também:Ruralistas argentinos iniciam novo locaute contra governoEntenda a crise entre o campo e o governo na Argentina "É uma resposta parcial a um problema maior", disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro principais associações de produtores agrícolas do país. Em declarações à rádio Continental, de Buenos Aires, Buzzi disse que o campo "pode ser uma das bases para sustentar a economia argentina" na crise financeira global. O governo argentino destinou um fundo de 230 milhões de pesos (US$ 70,9 milhões) aos produtores afetados pelas piores secas do último século. No entanto, o ministro não falou dos impostos às exportações de grãos, que detonaram um confronto de quatro meses entre o governo e o campo neste ano, depois que dirigentes rurais reivindicaram "descê-los a zero" para o caso dos pequenos produtores. Nesse sentido, Buzzi sustentou nesta quinta que as reivindicações do campo passam por melhorar "as condições para a agricultura, a pecuária e a produção de leite". Ricardo Buryaile, vice-presidente das Confederações Rurais Argentinas, opinou que os anúncios do governo "são apenas para manchetes de jornais." Seu colega da Federação Agrária Argentina, Ulises Forte, disse por sua vez que o plano oficial é "caridade". Os anúncios do governo eram esperados com expectativa pelos dirigentes rurais, que anteontem encerraram seu quinto locaute neste ano contra a política agropecuária oficial. O protesto, de seis dias de duração, consistiu em não enviar cereais às indústrias e aos exportadores, e limitar o gado bovino aos mercados. Ele não teve apoio popular e sofreu críticas por coincidir com a crise financeira mundial. Este locaute marcou o retorno aos protestos agropecuários após o relaxamento do conflito conseguido em julho, depois que o Parlamento rejeitou o esquema de impostos móveis às exportações de grãos que detonou a briga com o Executivo em março. Os produtores asseguram que sua situação é pior do que em relação a março pelo aumento de custos, a diminuição dos preços internacionais dos grãos e a seca.

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