Ajuda tem dificuldade para chegar a Pisco, no Peru

Autoridades temem que comunidades inteiras tenham desaparecido com o terremoto de 8 graus de quarta-feira

Roberto Lameirinhas, enviado especial do Estadão, com agências,

17 de agosto de 2007 | 08h48

A cidade peruana de Pisco, que fica na região mais afetada pelo terremoto de 8 graus na escala Richter que atingiu o Peru na quarta-feira, 15, está praticamente isolada do restante do país. Além dos escombros que dificultam a passagem, a ponte que dá acesso à cidade desabou e grupos humanitários têm dificuldade para chegar ao centro.     Veja também: Câmeras flagram momento do abalo  Vítimas do terremoto são veladas nas ruas Moradores de Pisco tomam caminhões Peru pede ajuda internacionalTremor de 5,5 graus gera alarme entre vítimas Exército peruano combate vandalismo ONU alerta para aumento do número de vítimas Os piores terremotos na América Latina Galeria de fotos do desastre        O governo peruano instalou um gabinete de emergência na base aérea de Pisco, onde os aviões chegam com a ajuda humanitária para os mais de 1.500 feridos e pelo menos 85 mil desabrigados atingidos pelo desastre.   O grande temor das autoridades peruanas é que comunidades inteiras, que vivem isoladas, tenham desaparecido no meio do terremoto. Isso aumentaria significativamente o número de vítimas, que já passa de 500 mortos - a esse número somam-se outros pelo menos 1.500 feridos e 85 mil desabrigados.   O Instituto Nacional de Defesa Civil também informou que 16.669 casas foram destruídas nas regiões de Ica, Lima, Junín e Huancavelica.   Os sobreviventes do desastre natural sofrem com a falta de estrutura. Há dois dias Pisco está sem energia elétrica e água potável, e milhares de pessoas foram obrigadas a dormir nas ruas. Hospitais e necrotérios estão lotados, obrigando os moradores a velar o corpo de seus familiares nas ruas da cidade. Times de voluntários ajudam no resgate dos feridos.   A rodovia Panamericana, principal ligação entre as grandes cidades do país e acesso aos outros locais bastante atingidos, como Chincha e Cañete, está praticamente destruída na região de Pisco. Trechos inteiros da pista se abriram e sofrem com deslizamentos de terra.   Escassez de alimentos   Além de Pisco, as cidades de Ica e Chincha, na província de Ica, enfrentam escassez de alimentos, falta de serviços básicos e interrupção nas comunicações, assim como a localidade de Cañete, em Lima.   Em entrevista nesta sexta-feira, o presidente do Congresso do Peru, Luis Gonzales Posada, afirmou que os problemas de fornecimento de mantimentos a essas regiões devem durar mais de uma semana.   A distribuição da ajuda aos afetados "exige uma grande organização", acrescentou. "Teremos por pelo menos uma semana, ou dez dias, problemas de (fornecimento de) alimentação", disse Posada à emissora estatal TV Peru, durante visita a Pisco.   A ajuda humanitária começou a ser distribuída em Pisco somente na noite de quinta-feira, em meio à escuridão. Nesta sexta, outros carregamentos de mantimentos, além de um barco-hospital, começaram a chegar à região.   Abandono   Enquanto a ajuda continua concentrada em Ica, Pisco, Chinca e Cañete, os moradores de localidades andinas que fazem fronteira com estas cidades se queixaram, por meio de ligações a emissoras de rádio, que foram abandonadas.   A maioria dos mortos no terremoto de quarta-feira eram pobres, e foram vitimados pela precariedade das residências em que viviam - quase sempre construídas com tijolos de argila.   As cidades de Nazca e Palpa estão entre as cidades de difícil acesso.   Matéria ampliada às 15h53

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