Alan Jara acusa Uribe de não fazer nada por reféns das Farc

Ex-governador diz que 'situação de guerra' parece ser conveniente ao presidente; 'guerrilha não está derrotada'

Efe,

03 de fevereiro de 2009 | 19h10

O ex-governador do departamento (Estado) colombiano de Meta Alan Jara, libertado nesta terça-feira, 3, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse que o grupo guerrilheiro não está derrotado e tem muitos integrantes, e que a única solução para o conflito no país é o diálogo político. Ele também acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de não fazer nada pelos reféns da guerrilha e que, por sua atitude, parece "que lhe convém a situação de guerra que vive o país."   Veja também: Farc prometem libertação de seus últimos reféns políticos Cronologia dos sequestrados das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Jornalistas analisam participação do Brasil    Em entrevista coletiva na cidade de Villavicencio, para onde foi levado por uma missão humanitária integrada pela Cruz Vermelha e a senadora Piedad Córdoba, Jara disse que a decisão das Farc de libertar seis reféns de forma unilateral "pode indicar um rumo político."   "As Farc não estão debilitadas em nada. Lá há muitos, a maioria jovens", disse sobre a experiência que teve em sua convivência com os guerrilheiros na selva. "Não vejo outra saída, senão negociar", frisou o ex-governador, que contou como foi sequestrado em 15 de julho de 2001, quando voltada da inauguração de uma ponte numa aldeia de Meta num veículo das Nações Unidas   Por sua vez, Piedad agradeceu às Farc por ter libertado Alan Jara, e indicou que falou de maneira insistente com um comandante rebelde para conseguir mais libertações de reféns. A senadora disse que conversou com os rebeldes sobre a importância de continuar com as libertações, e anunciou que continuará visitando os presos das Farc para buscar uma troca que permita o retorno de todos os reféns.   "O trabalho pelas libertações continua, e tenho de aproveitar para agradecer às Farc por terem cumprido com seu compromisso de seguir avançando neste processo, e porque isto mostra que é possível avançar pela via política e negociada", disse ela.   A senadora também confirmou que falou com o comandante rebelde encarregado de libertar Jara, e insistiu na necessidade de buscar um acordo humanitário. "Ele é um comandante que fez parte das outras libertações, Alan o apelidou de 'comandante Liberdade'. Ele é muito sério e insisti muito sobre a necessidade de continuar nesse caminho", continuou.   Piedad indicou que no momento da libertação vários aldeões se despediram do ex-governador do departamento de Meta em um ponto da selva onde aproximadamente 30 guerrilheiros das Farc o entregaram ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). "Ele caminhava no meio de camponeses, camponesas e guerrilheiros; eram pessoas que vieram para se despedir", confirmou a congressista. Jara foi professor de russo e inglês em vários acampamentos das Farc.

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