Aliado de Uribe confessa vínculos com paramilitares

Ex-congressista aceitou acusações de que usou relações com grupos de extrema direita para obter vantagens

Associated Press, Agência Estado

19 Julho 2007 | 18h41

Alfonso Campo, um ex-congressista aliado do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, admitiu nesta quinta-feira, 19, que teve vínculos com grupos paramilitares de extrema direita.   Ao colaborar com a Justiça, Campo poderá receber uma sentença mais branda dos juízes, afirmou uma fonte oficial. Campo aceitou as acusações de formação de quadrilha, fraude eleitoral e constrangimento ao eleitorado, afirmou um funcionário do escritório de imprensa da Justiça que não quis se identificar.   Campo, do oficialista Partido Conservador, foi preso em fevereiro com outros quatro congressistas, por supostamente usar suas relações com os grupos paramilitares para obter vantagens eleitorais. Ele supostamente cometeu seus crimes em aliança com os paramilitares, exércitos clandestinos de direita responsáveis por crimes hediondos na guerra civil colombiana.   O ex-congressista é o primeiro parlamentar a aceitar as acusações que lhe faz a Justiça, no escândalo da "parapolítica" que estourou em maio deste ano. O ex-deputado pelo departamento (Estado) de Magdalena renunciou ao cargo para ser julgado pela Justiça comum e não pela Suprema Corte de Justiça, único tribunal autorizado na Colômbia a processar e julgar parlamentares. O departamento de Magdalena foi um dos focos das milícias paramilitares na Colômbia.   Pelo menos outros quatro deputados renunciaram aos seus cargos para serem processados pela Justiça comum, porque alegam que a Suprema Corte não lhes fará um processo objetivo.   Na véspera, a Suprema Corte ordenou a captura do congressista Oscar Wilches, do departamento de Casanare, por suposta aliança com os paramilitares. Wilches entregou-se nesta quinta-feira. O parlamentar é acusado também de uso indevido do orçamento em várias prefeituras do departamento de Casanare. "Com a segurança da minha inocência estou aqui para responder por um crime que não cometi. Sou 100% inocente," afirmou Wilches.   A Corte também abriu investigações contra os deputados Luis Carlos Torres e Jairo Fernández Quessep, ambos do departamento de Sucre, outro reduto de paramilitares.   Recentemente, o primo do presidente Uribe, o senador Mário Uribe, passou a ser alvo de investigação por vínculos com os paramilitares.   Guerra civil   Os paramilitares surgiram na década de 1980, com o apoio de latifundiários que sofriam ataques das guerrilhas de esquerda. Em pouco tempo, no entanto, se envolveram com o narcotráfico e passaram a cometer atrocidades contra civis, aos quais massacravam e expulsavam das terras.   Em 2003, o governo Uribe assinou um acordo de paz que previu a desmobilização de 31 mil combatentes paramilitares. Os ex-comandantes paramilitares, hoje presos, se comprometeram em deixar de delinqüir, confessar todos os crimes e indenizar as vítimas que sobreviveram, em troca de sentenças máximas de oito anos de cárcere.   Em maio, depoimentos de ex-líderes paramilitares como Salvatore Mancuso desencadearam o escândalo da "parapolítica", que revelou vínculos entre políticos - na sua maioria aliados ao presidente Uribe - e os grupos de extrema direita.

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