Aliança de centro ameaça Mujica no 2º turno no Uruguai

Candidato governista teve 47% dos votos; opositor Lacalle teve 29%, mas deve receber apoio de Bordaberry

estadao.com.br,

26 de outubro de 2009 | 15h31

O ex-presidente uruguaio Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (Blanco), já começou negociações com Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, após ter confirmado seu segundo lugar nas eleições presidenciais do domingo, 25, com 29% dos votos. Lacalle quer uma aliança para vencer o ex-guerrilheiro José Mujica, da coalizão governista Frente Ampla, no segundo turno, em 29 de novembro.

 

Veja também:  

link Uruguaios rejeitam anular lei que anistiou militares da ditadura

link Estado dá garantias sociais e interfere na economia

blog O ordenhador da burguesia x Freddy Krueger dos gastos

lista Perfil: Lacalle, o conservador 'duro de matar'

lista Perfil: Mujica, ex-guerrilheiro a um passo da presidência

 

Apesar de vencer o primeiro turno, Mujica obteve 47% dos votos - três pontos porcentuais a menos do que o necessário para vencer diretamente. Bordaberry, com uma votação inesperada de 17,8%, promete ser o fiel da balança na votação.

 

Apesar de apostar que Mujica deve vencer no segundo turno, analistas recordam que, há exatamente dez anos, o candidato do partido Colorado, que havia ficado em segundo lugar, conseguiu ganhar o segundo turno com apoio do partido Nacional.

 

Essa foi a primeira vez em que houve queda da esquerda no Uruguai. Desde que foi criada, em 1971, a Frente Ampla cresceu de forma persistente. Na primeira eleição, há quase quatro décadas, obteve 18% dos votos. Quando Tabaré Vázquez foi eleito, obteve 50,6% dos votos. Dessa vez, teria caído para 47%. O estilo "informal" de Mujica causa rejeição em vários integrantes da esquerda.

 

 

Resultados e previsões

 

Com 99,9% dos votos contados, Mujica obteve 47% dos votos dos eleitores que foram às urnas no domingo. O ex-presidente Lacalle obteve 29%, garantindo assim a participação no segundo turno. Na terceira colocação ficou Bordaberry, com quase 18% dos votos.

 

Lacalle tem uma missão difícil pela frente, pois precisa obter quase todos os votos de Pedro Bordaberry e é prejudicado pela alta popularidade do atual presidente, na casa dos 60%.

 

Mujica prometeu lutar por todos os 3,4 milhões de uruguaios, insistindo que a nação pode ser tornar uma espécie de Finlândia, com uma economia diversificada capaz de criar bons empregos e também de garantir direitos aos mais pobres.

 

Lacalle quer reduzir impostos e promete reduzir o tamanho do Estado. Também se posiciona como uma opção mais aberta ao diálogo, já que Mujica em alguns momentos deu declarações intempestivas.

 

A chapa governista tem na vice-presidência Danilo Astori, ex-ministro da Economia, que era o favorito de Tabaré para sucedê-lo. Astori, porém, perdeu as primárias partidárias para Mujica, mas os dois uniram forças na disputa nacional.

 

O vencedor em segundo turno assume em 1º de março. Dois referendos, um para responsabilizar militares por supostos crimes da ditadura (1973-85), e outro para que os uruguaios no exterior possam votar pelo correio, não conseguiram maioria para que os projetos fossem aprovados.

 

(Com Ariel Palácios, de O Estado de S. Paulo, e Associated Press)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.