Associated Press
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Allende pode ter levado 2 disparos diferentes, diz reportagem de TV

Documento que pode desmentir tese de suicídio do líder chileno foi encontrado em 2010

Efe

31 de maio de 2011 | 04h55

SANTIAGO- O ex-presidente chileno Salvador Allende, que morreu durante o assédio dos militares golpistas ao Palácio de La Moneda em 11 de setembro de 1973, pode ter levado dois disparos diferentes, segundo revelou na noite de segunda-feira, 30, uma reportagem televisiva.

 

O programa Informe Especial, da Televisión Nacional do Chile (TVN), divulgou um inédito relatório da promotoria militar sobre a morte do ex-mandatário socialista que abre a possibilidade de Allende não ter se suicidado, como a versão oficial sustentou durante 38.

 

O documento que pode refutar a tese de suicídio do líder foi encontrado de maneira fortuita no ano passado entre os escombros de uma casa derrubada que pertenceu ao coronel Horacio Ried, relator da Corte Marcial, hoje já falecido, e entregue à equipe jornalística da TVN.

 

O expediente, datado de 11 de setembro de 1973, é integrado pelo "trabalho no lugar do fato, a perícia balística, a perícia datiloscópica, as testemunhas e a autópsia".

 

O relatório da promotoria militar foi analisado pelo doutor uruguaio Hugo Rodríguez, autor de um método conhecido como a "autópsia histórica", que se aplica em casos nos quais os restos humanos não estão disponíveis para perícia.

 

O especialista, uma eminência mundial em medicina legista, concluiu que além do ferimento do fuzil AK-47, que provocou a explosão da parte superior da caixa craniana, há outra de uma arma de menor calibre que deixou um orifício em um dos fragmentos ósseos.

 

"Isso indica necessariamente que existiu outro projétil e que, além disso, esse outro projétil foi disparado antes do que provocou a explosão", afirmou Rodríguez, diretor do departamento de medicina legal da universidade uruguaia da República.

 

Esta revelação acontece uma semana depois de terem sido exumados os restos do presidente chileno a fim de realizar as perícias que em um prazo de três meses determinarão as circunstâncias de sua morte.

 

Após a difusão da reportagem, o advogado defensor de direitos humanos Eduardo Contreras declarou à TVN que "o programa confirma algumas verdades que já conhecíamos, que são a presença de militares e a existência real de mais de um disparo".

 

"A sorte de Allende estava lançada: suicídio ou homicídio, o presidente iria morrer nesse dia", assinalou Contreras, autor do requerimento para a exumação do cadáver de Salvador Allende.

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