América Latina apóia Lugo em denúncia de complô no Paraguai

A América Latina ofereceu naterça-feira um firme respaldo ao presidente do Paraguai,Fernando Lugo, que está no cargo há três semanas e na vésperadenunciou uma conspiração para derrubá-lo. Embaixadores de nove países sul-americanos, do México e daOrganização dos Estados Americanos (OEA) manifestaram apoio aLugo durante um encontro convocado pelo chanceler paraguaio,Alejandro Hamed. Lugo acusou o ex-presidente Nicanor Duarte e o general dareserva Lino Oviedo de tramarem um golpe militar. "Os países presentes expressaram seu respaldo irrestrito aogoverno do presidente Fernando Lugo, ao processo democrático noParaguai e seu absoluto respeito pelos assuntos internos dopaís", disse a jornalistas o embaixador mexicano, ErnestoCampos, escolhido como porta-voz do encontro. Campos disse que as nações do continente estão dispostas amobilizar instituições como a OEA, o Grupo do Rio, o Mercosul ea Comunidade Andina no apoio ao governo paraguaio. Os ministérios de Relações Exteriores de Brasil, Argentinae Chile manifestaram preocupação com a situação paraguaia. Um comunicado do Itamaraty afirma que o governo brasileiro"tomou conhecimento, com preocupação" das denúncias feitas nasegunda-feira por Lugo. "O governo brasileiro confia em que a inconstitucionalidadedemocrática será plenamente mantida no país e reafirma seuapoio ao presidente Lugo, legitimamente eleito pelo povoparaguaio", acrescentou. A DENÚNCIA Lugo disse que um general de alta patente foi convocado auma reunião em que participaram Duarte, Oviedo, o presidente doCongresso, o procurador-geral do Estado e um juiz do SupremoTribunal Eleitoral, para ser indagado sobre um conflito queparalisa o Senado. O general Máximo Díaz, que faz a ligação entre o Congressoe as Forças Armadas, disse que foi consultado por Oviedo sobrea posição dos quartéis a respeito da crise, o que segundo Lugoconstitui uma ameaça a democracia. "Está claro que se pretende alterar a ordem institucional.Achamos que isso não vai ocorrer, porque as Forças Armadasestão subordinadas ao poder civil", disse o ministro doInterior, Rafael Filizzola, numa entrevista coletiva. "Não posso avaliar se houve ou não uma intentona golpista.Não está ao meu alcance avaliar isso. Eu relatei os fatos, quemestava ali e por que eu não devia estar ali", disse por sua vezo general Díaz. Tanto Duarte como Oviedo, dois importantes líderespolíticos opositores ao governo centro-esquerdista de Lugo,asseguraram que o presidente foi enganado. (Reportagem adicional de Mariel Cristaldo)

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