América Latina e Caribe criarão órgão regional sem os EUA

Cúpula regional encerra isolamento de Cuba e pede pelo fim do embargo americano contra o regime da ilha

Agências internacionais,

18 de dezembro de 2008 | 09h20

 Os países latino-americanos e o Caribe criarão uma organização regional permanente que excluirá os EUA, segundo anunciaram os líderes da região durante a Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC), encerrada na Bahia na quarta-feira, 17. Com a participação de 300 nações representadas por seus chefes de Estado ou altos oficiais do governo, esta será a primeira organização exclusivamente regional nos 200 anos desde a independência da maioria dos Estados sem a participação do governo americano ou de membros europeus, além de marcar a estréia na política internacional do presidente cubano, Raúl Castro.   Veja também: Câmara aprova Venezuela no Mercosul; projeto vai ao Senado Chávez diz na Bahia que capitalismo é coisa do diabo   Cúpula revela nova ordem regional  Lula a jornalistas: não tirem o sapato   Os participantes do encontro pediram pelo fim do embargo americano contra Cuba. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu não endossar o discurso radical de seu colega boliviano Evo Morales, que propôs na reunião que, caso Obama não suspenda o embargo logo após assumir o cargo, todos os países chamem de volta seus embaixadores dos EUA, como "um ato de rebeldia". "Eu sou mais cuidadoso", ponderou Lula, explicando que é preciso esperar para ver qual será a posição de Obama em relação à América Latina e o tratamento dado a Cuba.   Presidentes latino-americanos posam para fotografia oficial na Bahia. Foto: Reuters     O presidente mexicano, Felipe Calderon, sugeriu que a nova organização - que segundo ele poderia se chamar União da América Latina e do Caribe e será criada em 2010 - deve ser criada para enfrentar os desafios políticos e econômicos da região. Ele afirmou ainda que o organismo deve excluir os EUA e o Canadá. Outros líderes afirmaram que o novo grupo deve agir como uma alternativa contra a Organização dos Estados Americanos (OEA), que seria muito dominada por Washington.   Lula notou que em 200 anos, desde o início das independências dos países latino-americanos, está é a primeira vez que as nações se reúnem sem interferência externa. Na avaliação do presidente, a região passou "séculos" sem que seus países construíssem algo em comum e até mesmo sem conversarem entre si. A partir de agora, disse o presidente brasileiro, essa situação começa a mudar, de forma lenta, mas segura. "Éramos um continente de surdos, que não nos enxergávamos", afirmou.   Calderon ressaltou que o tema sugere uma nova união regional. "Dois anos é um tempo longo para esperar, mas é melhor do que nunca", afirmou durante entrevista coletiva ao lado de Lula e outros presidentes. "Seria bom celebrar o bicentenário da nossa independência com uma verdadeira união América Latina e Caribe"   A Cúpula terminou com a vitória de Cuba, admitida no Grupo do Rio, que é um mecanismo de consultas políticas entre os países da América Latina e do Caribe, criado em 1986, no Rio de Janeiro. Funciona como um canal para a diplomacia presidencial entre os Estados integrantes. O encontro ainda marcou a estréia de Rául Castro, irmão do ex-presidente Fidel, na política internacional.   (Com Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo)

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