Americanos deixam região boliviana ameaçados por cocaleiros

Funcionários de agência americana saem de Cochabamba após ultimato de sindicato de produtores de coca

Efe,

26 de junho de 2008 | 17h48

Os funcionários da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) abandonaram a província boliviana de Chapare, no departamento de Cochabamba, sob ameaça de expulsão por parte dos cocaleiros, informaram nesta quinta-feira, 26, jornais bolivianos. Os americanos saíram da região um dia antes que se cumprisse o ultimato lançado esta semana pelos sindicatos de cocaleiros, que advertiram que a partir desta quinta declarariam a região "território livre da Usaid" e "livre de ingerências." Veja também:Cultivo de coca na Colômbia cresceu 27% em 2007, diz ONU Vários jornais bolivianos afirmaram nesta quinta que constataram a ausência dos funcionários da organização americana no Chapare. Os cocaleiros explicam sua decisão dizendo que a Usaid faz chantagens e está envolvida em conspirações contra o presidente Evo Morales, que continua sendo seu líder sindical, embora já de forma simbólica. "Nosso país deixou de ser um país mendigo", disse o dirigente do setor Julio Salazar, que adiantou que os municípios vão assumir os projetos impulsionados pela Usaid, mas que ainda não foram finalizados. Salazar afirmou que a agência americana só destinava para a cooperação 5% de seu orçamento na região, e o resto era gasto em "espionagem, inteligência e compra de alguns dos prefeitos." O vice-ministro da Defesa Social boliviano, Felipe Cáceres, ex-cocaleiro e encarregado da luta contra as drogas, criticou os métodos de cooperação americana e, no entanto, elogiou a ajuda européia. "Queremos uma cooperação como, por exemplo, a da União Européia", declarou Cáceres após dizer que "o pior é que estes programas (da Usaid) continuam sendo dirigidos pelos próprios americanos." Ele pediu "novas regras e novas formas de cooperação" entre Bolívia e EUA. Sobre a preocupação pela segurança de funcionários e cidadãos americanos expressada pela Embaixada dos Estados Unidos em La Paz, o vice-ministro esclareceu que todos têm "a garantia do Estado de Direito". Cáceres disse que os cocaleiros "não estão atentando contra a segurança das pessoas, mas falando dos projetos."

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