Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Americanos são acusados de 'sequestro de menores' por Justiça haitiana

Missionários também foram acusados de 'associação criminosa'; EUA afirmam estar monitorando caso

Associated Press e Reuters,

04 de fevereiro de 2010 | 17h40

Os dez norte-americanos que tentaram sair do Haiti com 33 crianças foram acusados nesta quinta-feira, 4, de "sequestro de menores e associações de malfeitores" pela Justiça haitiana, anunciou o advogado do grupo, Edwin Coq.

 

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Depois de anunciar os crimes, o procurador adjunto do Haiti, Jean Joseph, disse aos dez americanos que seus casos estavam sendo enviados a um juiz para investigação.

 

"Esse juiz pode liberá-los, mas também pode determinar que continuem detidos para novos procedimentos", declarou o procurador aos cinco homens e cinco mulheres em uma audiência.

 

Os americanos foram levados do tribunal a um cárcere em Porto Príncipe. Uma delas, a líder do grupo, Laura Silsby, acenou para os jornalistas, mas se negou a responder perguntas.

 

Coq disse que, de acordo com o sistema legal haitiano, não haverá um julgamento aberto ao público, mas que um juiz analisará as provas. O veredicto poderia demorar cerca de três meses, acrescentou.

 

O advogado afirmou que, de acordo com um funcionário do governo haitiano, os americanos foram acusados porque tinham as crianças em seu poder. Nenhum membro do governo haitiano fez declarações após a audiência.

 

Cada crime de sequestro leva uma sentença de cinco a 15 anos de prisão.

 

Coq disse que nove dos dez missionários não sabiam nada sobre o alegado plano, nem que a documentação das crianças não estava em ordem. "Eu vou fazer tudo que eu puder para liberar esses nove", declarou o advogado. A líder da missão ainda continuaria presa.

 

Minutos antes, o advogado dominicano dos americanos, Jorge Puello, disse que esperava que ao menos nove dos dez americanos seriam soltos nesta quinta, e também afirmou estar providenciando um voo fretado de Santo Domingo para eles. "Estou no aeroporto (em Santo Domingo) e estamos preparando o voo. Estamos apenas esperando o sinal verde (do governo haitiano)", disse Puello.

 

"Eu conversei com uma fonte dentro da cadeia - um oficial do governo - que disse que nove seriam soltos mas um ficaria detido para mais investigações", acrescentou.

 

"Outras vias legais"

 

O porta-voz do departamento de Estado norte-americano, P.J. Crowley, disse que os EUA estão monitorando o caso e o país está aberto para discutir "outras vias legais" para os missionários - uma aparente referência a sugestão do primeiro-ministro haitiano de que o Haiti poderia considerar o envio dos americanos aos EUA para sua acusação.

 

"Mas agora a questão está com o sistema judicial do Haiti", disse Crowley. "Nós respeitamos isso. E nós vamos continuar a ter discussões com o governo haitiano enquanto este caso procede."

 

Os americanos foram detidos na última sexta, quando tentavam cruzar a fronteira do Haiti com a República Dominicana em um ônibus com 33 crianças sem documentação. Uma autorização do Haiti é aguardada para dispor um voo de Santo Domingo para os nove liberados.

 

O caso poderia tornar-se sensível diplomaticamente em um momento no qual os Estados Unidos está comemorando uma enorme assistência ao Haiti para ajudar a centenas de milhares de pessoas, e associações de caridade norte-americanas estão destinando milhões de dólares em doações.

 

As autoridades haitianas dizem que o grupo não tinha autorização para retirar as crianças do país, e aparentemente muitas delas não eram órfãs. A polícia haitiana disse que alguns pais admitiram ter entregado seus filhos aos missionários por acreditarem que as crianças teriam educação e uma vida melhor no exterior.

O governo haitiano endureceu as regras para a adoção de crianças desde o terremoto, por temer que pessoas inescrupulosas tentem se aproveitar da tragédia para se apossar de crianças vulneráveis.

Autoridades dizem que já houve relatos de tráfico de menores e até de órgãos humanos.

 

Notícia atualizada às 18h52 para acréscimo de informações

 

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