Amorim alerta sobre acordo militar entre Colômbia e EUA

Para chanceler, colombianos têm a obrigação de esclarecer temores de seus vizinhos sul-americanos

Reuters,

27 de agosto de 2009 | 10h20

O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim manifestou nesta quinta-feira, 27, a preocupação do Brasil com relação ao acordo militar que permitiria aos EUA usar sete bases militares da vizinha Colômbia, e disse torcer para que o assunto seja resolvido na cúpula da Unasul (União das Nações da América do Sul) de sexta-feira em Bariloche, na Argentina.

 

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O acordo enfrenta forte resistência de alguns lideres latino-americanos, especialmente do venezuelano Hugo Chávez, que o aponta como uma agressão "imperialista" às nações do continente.

 

Bogotá e Washington dizem que o acordo se destina somente a combater o narcotráfico e o terrorismo, e a Colômbia levou nesta semana à Organização dos Estados Americanos (OEA) uma queixa contra a Venezuela por supostamente interferir nos seus assuntos internos.

 

Mas Amorim disse nesta quinta-feira, em Paris, onde participa de uma conferência com embaixadores franceses, que a Colômbia tem a obrigação de responder às preocupações de seus vizinhos. "É claro que o Brasil respeita o direito soberano da Colômbia de assinar acordos internacionais que julgar relevantes para garantir a ordem em seu território, mas mesmo assim, a presença de bases estrangeiras na América do Sul desperta sensibilidades de uma natureza política e até psicológica, que devem ser levadas em conta", disse.

 

Na opinião do chanceler, qualquer arranjo nesse sentido deveria conter garantias jurídicas quanto ao uso de pessoal e equipamentos estrangeiros.

 

Amorim disse que o encontro da Unasul será uma oportunidade para que a questão seja resolvida "de maneira cooperativa e pacífica." O presidente Lula convidou o presidente dos EUA, Barack Obama, para comparecer à cúpula e apresentar argumentos que tranquilizem os países da região.

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