Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Amorim: Brasil e EUA buscam solução moderada em Honduras

OEA deve discutir crise na quinta-feira; chanceler brasileiro diz que pedido para entregar Zelaya é incabível

Nalu Fernandes, Agência Estado

22 de setembro de 2009 | 17h25

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira, 22, que Brasil e EUA buscam uma solução moderada e pacífica para a crise em Honduras, acirrada desde o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya. Segundo o chanceler brasileiro, a Organização dos Estados Americanos (OEA)deve tratar do tema em uma reunião extraordinária na quinta-feira às 17h.

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Amorim disse ainda que considera solicitar uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a situação na missão diplomática brasileira em Honduras.

A ideia, segundo Amorim, é enviar um representante da OEA para Honduras, destacando que os aeroportos precisam ser reabertos. A reunião foi convocada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza e será realizada na sede da missão do Brasil na ONU, em Nova York

O pedido para utilizar as instalações da sede da missão do Brasil foi feito pelo secretário-geral da OEA. Amorim não deu certeza se participará da reunião, mas destacou que outros embaixadores estarão presentes, sem citar nomes. Do lado norte-americano, participará da reunião um subsecretário, informou Amorim.

Cerco à embaixada

 

Chanceler brasileiro diz que corte de água, luz e telefone na missão brasileira foi extremamente grave, mas já foi retomado. As proximidades da sede da missão brasileira foram palco de confronto entre forças de seguranças leais ao governo Micheletti e simpatizantes de Zelaya.

 

"Estamos lidando com um governo peculiar, pois este governo não é reconhecido pela comunidade internacional", disse. O chanceler ainda qualificou o pedido do governo de facto, de que o Brasil deveria entregar Zelaya ou lhe conceder asilo, como totalmente incabível.

 

Uma bomba de gás lacrimogêneo, segundo o chanceler, foi atirada nas imediações da embaixada brasileira por voltas das 5 horas locais. "A primeira preocupação é com a segurança, não só de Zelaya (Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras), mas também das pessoas que estão na embaixada", disse Amorim.

 

Durante entrevista coletiva em Nova York, Amorim evitou o tempo todo usar a expressão "embaixada cercada" para referir-se aos acontecimentos em Tegucigalpa. Disse também que a embaixada dos EUA se ofereceu para levar as mulheres que se encontravam na representação brasileira para suas casas.

Há cerca de 60 a 80 pessoas na embaixada do Brasil, estimou Amorim, incluindo crianças. "Não vemos inconveniente em que ele (Zelaya)receba pessoas ou comissões, mas se o número for muito grande não será muito positivo." A ideia, segundo o chanceler brasileiro, é de que a Cruz Vermelha retire as pessoas e as leve para lugar seguro.

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