Amorim: Crise em Honduras põe em risco credibilidade eleitoral

Governo instalado após o golpe que derrubou Manuel Zelaya tem de deixar o poder, mas descarta uso da força

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

06 de julho de 2009 | 11h04

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu nesta segunda-feira, 6, em Paris, as medidas tomadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para forçar o retorno de Manuel Zelaya, presidente deposto, ao poder em Honduras. No domingo, a instituição suspendeu o país do seu quadro de membros. Segundo o chanceler, o governo golpista instalado precisa cair antes das eleições marcadas para novembro, caso contrário o pleito não poderá ser considerado legítimo pela comunidade internacional.

 

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Em entrevista concedida na embaixada de Paris, Amorim ressaltou a urgência do retorno de Zelaya ao poder. "Há eleições marcadas. Este governo pode considerar a hipótese de conduzir as eleições, mas ele não tem legitimidade", sustentou. "Qualquer autoridade ilegítima conduzirá um processo eleitoral ilegítimo no país. Quanto antes o presidente voltar, melhor."

 

Amorim demonstrou preocupação com o agravamento da situação interna do país. No fim de semana, duas pessoas morreram em protestos contra o gabinete golpista, comandado por Roberto Micheletti, enquanto o presidente Zelaya, eleito de forma de forma democrática, foi impedido de retornar ao país por destacamentos militares instalados no aeroporto de Tegucigalpa.

 

Apesar da tensão, Amorim disse confiar na eficiência das pressões políticas feitas pela OEA - com o apoio unânime dos países das Américas - para restabelecer a normalidade institucional no país. Para o chanceler, mesmo que resista aos apelos das potências da região, o novo governo hondurenho não resistiria a um eventual embargo econômico liderado pelos Estados Unidos, pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

 

"Honduras é muito dependente da ajuda externa, muito dependente do mercado norte-americano, muito dependente dos empréstimos do Banco Mundial. E como todos os outros países, precisa ser sensível", disse Amorim. "Não se trata apenas de pressão externa, mas de legitimidade internacional. Esperemos que seja rápido, justamente para evitar que este ciclo de repressão que se iniciou ontem termine rápido."

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