Amorim defende ausência de Lula na Assembleia Geral da ONU

Segundo chanceler, presença do presidente no país é importante e sua ausência não requer explicação

Luciana Xavier, de O Estado de S. Paulo,

20 de setembro de 2010 | 19h13

NOVA YORK- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse na noite desta segunda-feira, 20, que a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 65.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) não é algo que mereça ser destacado. O ministro disse ainda que se sente "muito à vontade" para representar Lula.

 

Segundo Amorim, o presidente participou das assembleias da ONU por sete anos, só não estando em uma extraordinária, realizada em 2005. O ministro destacou que o presidente precisa ficar no Brasil na reta final das eleições presidenciais.

 

"Não acho que isso (a ausência de Lula) requeira explicação. A presença do presidente num momento desses, no Brasil, é muito importante." Amorim fica em Nova York para o evento da ONU até o dia 28 e, de lá, segue para o Haiti.

 

O ministro fará o discurso de abertura do Debate Geral da Assembleia, na próxima quinta-feira. No encontro deste ano, líderes e representantes dos países membros discutem o cumprimento das metas do milênio da ONU, que são oito ao todo e foram estabelecidas em 2000, devendo ser cumpridas até 2015.

 

Amorim participou hoje, primeiro dia da assembleia, de uma reunião da Comissão Interina para Recuperação do Haiti, com representantes do governo haitiano, além de líderes de outros países como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

 

"É preciso toda ajuda para manter vivo o tema do Haiti. Do meu ponto de vista, creio que não havia maneira mais significativa de começar o encontro do que com uma sessão sobre o Haiti", afirmou Amorim, durante coletiva à imprensa na Missão do Brasil na ONU.

 

Segundo o ministro, o Brasil foi um dos poucos países que cumpriram a promessa de enviar dinheiro ao Fundo de Ajuda ao Haiti. "Creio que somos o maior contribuinte com o Fundo. O Brasil depositou tudo o que prometeu, creio que o papel do País é bastante reconhecido."

 

Amorim ressaltou que esta é a última Assembleia Geral da ONU da qual o governo Lula participa. "É o momento de fazer o balanço de algumas iniciativas importantes que o Brasil tomou."

 

De acordo com o ministro, os avanços na área social no Brasil serão apresentados em maiores detalhes por ele durante o evento. O ministro, no entanto, evitou falar de detalhes do discurso da próxima quinta-feira.

 

Amorim disse também que, por enquanto, não tem nada específico para dizer sobre uma eventual aproximação dos Estados Unidos com o Irã. Segundo ele, o encontro que teve hoje com Hillary foi muito cordial e esse assunto não foi abordado. Tanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, participam da assembleia deste ano.

 

 

Amorim também defendeu que se avance na reforma do Conselho de Segurança da ONU. "Precisamos garantir que não haja retrocesso. Sabemos que existe resistência de alguns membros permanentes, mas temos consciência que não se pode manter um órgão que trata da segurança com a mesma estrutura de 65 anos atrás. Não é possível, porque vai minar a credibilidade do Conselho de Segurança. Não é possível querer que países como o Brasil, Índia e África do Sul contribuam com assuntos do mundo e, na hora de dar opinião, ela não seja levada em conta", afirmou.

 

Amanhã, o ministro participa de uma reunião ministerial com países do Bric e, logo depois, de encontro com representantes de Kiribati, país que fica no Pacífico Sul e com o qual deve assinar acordo para estabelecer relações diplomáticas.

 

Para que o Brasil tenha relações diplomáticas com todos os 192 países da ONU, ficará faltando fechar um acordo apenas com Tonga, outro arquipélago do Pacífico, o que pode acontecer nos próximos dias.

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