Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Amorim diz que ações contra embaixada são 'intoleráveis'

Chanceler brasileiro diz que corte de água, luz e telefone na missão brasileira foi extremamente grave

Nalu Fernandes, Agência Estado

22 de setembro de 2009 | 16h14

O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira, 22, que o País não vai tolerar nenhuma ação contra a embaixada em Tegucigalpa, onde está o presidente deposto Manuel Zelaya, embora não acredite que isso possa ocorrer. "Nem os regimes mais ditatoriais do mundo atacaram embaixadas. Se isso acontecesse, seria prova de selvageria em termos internacionais. E esse governo não vai fazer isso."A ação também foi criticada pelo governo americano, que pediu respeito à inviolabilidade da embaixada brasileira.

 

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Amorim considerou "extremamente grave" a suspensão do fornecimento de água, luz e telefone na embaixada do Brasil nesta manhã, assim como o lançamento de bombas de gás lacrimogêneo nas imediações da representação brasileira. "Estamos lidando com um governo peculiar, pois este governo não é reconhecido pela comunidade internacional", disse.  

 

O chanceler qualificou de "condenável" essa ação do governo de facto de Honduras, mas ressalvou que não se chegou a extremos. Segundo ele, a informação disponível é de que o corte dos serviços básicos atingiu outras embaixadas além da brasileira e que teria sido uma medida para dispersar manifestantes. Mesmo assim, julgou tais ações "condenáveis". Amorim disse que o fornecimento dos serviços públicos já foram restaurados e que o abastecimento de alimentos tem sido controlado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

 

Uma bomba de gás lacrimogêneo, segundo o chanceler, foi atirada nas imediações da embaixada brasileira por voltas das 5 horas locais. "A primeira preocupação é com a segurança, não só de Zelaya (Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras), mas também das pessoas que estão na embaixada", disse Amorim.

 

Durante entrevista coletiva em Nova York, Amorim evitou o tempo todo usar a expressão "embaixada cercada" para referir-se aos acontecimentos em Tegucigalpa. Disse também que a embaixada dos EUA se ofereceu para levar as mulheres que se encontravam na representação brasileira para suas casas. Há cerca de 60 a 80 pessoas na embaixada do Brasil, estimou Amorim, incluindo crianças. "Não vemos inconveniente em que ele (Zelaya)receba pessoas ou comissões, mas se o número for muito grande não será muito positivo." A ideia, segundo o chanceler brasileiro, é de que a Cruz Vermelha retire as pessoas e as leve para lugar seguro.

 

O ministro disse ainda que o governo brasileiro mantém contato com outros países que têm contato com o governo de facto de Honduras - o Brasil não reconhece o governo que depôs Zelaya. Sobre o pedido do governo hondurenho de facto para que o Brasil entregasse Zelaya às "autoridades competentes", Amorim considerou como "totalmente impertinente". O ministro brasileiro disse também ter falado com Zelaya por telefone e pedido a ele que não pronunciasse a palavra "morte" sob qualquer circunstância, nem mesmo como força de retórica.

 

Amorim contou ainda ter recebido um telefonema da Secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. "Ela me ligou e comentamos a situação. Concordamos na busca para uma solução moderada, pacífica e pelo diálogo, sem que haja subtração dos diretos dele (Zelaya)", disse. O chanceler informou que o presidente do conselho da OEA (Pedro Oyarce) fará uma declaração sobre Honduras e sobre a necessidade de se manter a inviabilidade das embaixadas diplomáticas.

 

Em declarações aos jornalistas em Nova York, Amorim disse ainda que o Brasil está considerando solicitar uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a situação na missão diplomática brasileira em Honduras. Segundo Amorim, a Organização dos Estados Americanos (OEA) fará uma reunião extraordinária nesta quinta-feira, às 17h de Brasília, para discutir uma solução negociada à crise em Honduras. A ideia, segundo Amorim, é enviar um representante da OEA para Honduras, destacando que os aeroportos precisam ser reabertos. A reunião foi convocada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza e será realizada na sede da missão do Brasil na ONU, em Nova York.

 

O pedido para utilizar as instalações da sede da missão do Brasil foi feito pelo secretário-geral da OEA. Amorim não deu certeza se participará da reunião, mas destacou que outros embaixadores estarão presentes, sem citar nomes. Do lado norte-americano, participará da reunião um subsecretário, informou Amorim.

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