Amorim diz que Brasil escutará a Colômbia mas quer garantia

Chanceler brasileiro afirmou que País quer confirmação de que bases não comprometerão segurança da região

AP,

14 de agosto de 2009 | 19h41

O Brasil está disposto a escutar as explicações da Colômbia sobre o possível acordo militar entre Washington e Bogotá, para que soldados norte-americanos usem bases militares colombianas, mas quer ter a garantia de que o acordo não comprometerá a segurança dos países da região, disse nesta sexta-feira o chanceler brasileiro Celso Amorim na capital do Peru.

 

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Amorim realizou uma visita oficial ao Peru que incluiu uma reunião com o presidente peruano Alan García para avaliar temas da agenda bilateral Brasil-Peru e a assinatura de acordos de cooperação em benefício de populações amazônicas fronteiriças de ambos os países.

 

Em coletiva à imprensa, Amorim disse que "estamos dispostos a escutar" as explicações da Colômbia, mas que o Brasil também acredita que as soluções de "consenso" são importantes.

 

"É preciso buscar quais são as soluções pela via do diálogo, que possam proporcionar tranquilidade de que essa presença (norte-americana) não chegue a ser desproporcional, tanto em pessoas quanto em equipamentos", disse Amorim.

 

"Em segundo lugar, é preciso construir uma garantia jurídica que possa dar tranquilidade de que não acontecerá um uso desses equipamentos, desses efetivos, de maneira que comprometa a segurança da região", disse o chanceler do Brasil.

 

O anúncio da Colômbia de que negocia um acordo militar com os Estados Unidos para que militares dos EUA usem bases colombianas, como parte de uma estratégia de luta contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o narcotráfico, gerou uma série de questionamentos dos líderes da região, que marcaram uma reunião extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul) para o dia 28 de agosto em Bariloche, Argentina. As reações mais contrárias partiram da Venezuela e do Equador, que já vivem longas crises diplomáticas com a Colômbia.

 

"É possível encontrar caminhos para o entendimento", disse o chanceler do Peru, José Antonio García Belaúnde, sobre a questão.

 

Uribe

 

Ex-presidentes e ex-chanceleres colombianos de todos os partidos cerraram fileiras ao redor do presidente colombiano Alvaro Uribe e expressaram seu apoio em meio às recentes tensões regionais com seus vizinhos Equador e Venezuela. Reunidos na chamada Comissão Assessora de Relações Exteriores, os integrantes pertencem tanto a grupos do governo, como o partido Conservador, quanto de opositores do Partido Liberal, um forte crítico da gestão interna de Uribe.

 

A reunião, por convite do governo, aconteceu em Bogotá na noite de quinta-feira na sede do Palácio de Nariño e se estendeu por cerca de cinco horas. Participaram do encontro ex-presidentes como o conservador Belisario Betancur (1982-1986) e os liberais César Gaviria (1990-1994) e Ernesto Samper (1994-1998). O ex-presidente conservador Andrés Pastrana (1998-2002) estava fora do país. Também participaram da reunião seis ex-chanceleres.

 

Ao fim da reunião, Betancur foi o encarregado de ler, para a imprensa, um breve comunicado no qual os participantes expressaram "sua solidariedade e seu apoio à política do presidente" Uribe.

 

"Em um diálogo franco e construtivo, os membros (da comissão) expressaram seus critérios e opiniões que, acreditam, servirão como elemento positivo para as definições que o chefe de Estado deverá adotar na defesa dos mais altos interesses nacionais", declarou Betancur.

 

A Comissão Assessora também reafirmou que "em conformidade com a Constituição Nacional, corresponde de maneira exclusiva ao primeiro mandatário do país dirigir as relações internacionais da Colômbia".

 

O pronunciamento foi feito após recentes visitas de legisladores colombianos de oposição a Caracas, onde se reuniram com o presidente venezuelano Hugo Chávez. Os congressistas disseram que as visitas foram tentativas de aliviar tensões com a Venezuela.

 

O ex-chanceler Guillermo Fernández de Soto, que ocupou o cargo durante todo o mandato de Pastrana, disse que o respaldo a Uribe era necessário para "mostrar uma frente unida e um grande consenso" sobre temas de interesse nacional, apesar das diferenças com a gestão do atual presidente. As informações são da Associated Press.

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