Amorim diz que golpistas demonstram 'surdez' em Honduras

Chanceler afirma que há 'total falta de disposição ao diálogo e a uma solução pacífica' para resolver crise

Efe,

28 de setembro de 2009 | 21h59

O chanceler Celso Amorim afirmou nesta segunda-feira, 28, que o governo de facto de Honduras mostra uma "surdez" perante a comunidade internacional e "uma total falta de disposição ao diálogo e a uma solução pacífica" para a crise. Amorim expressou a "preocupação" do governo brasileiro, que recebe em sua embaixada em Tegucigalpa o presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya, com os últimos acontecimentos em Honduras.

 

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O ministro das Relações Exteriores explicou, em coletiva de imprensa, que essas "preocupações" se referem em particular ao ultimato que o governo golpista deu ao Brasil "para asilar ou deixar sair o presidente Zelaya" e a sua recusa em receber uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA). "São fatos graves", que revelam "quase um estado de surdez do governo de Honduras perante a comunidade internacional" e uma "total falta de disposição ao diálogo e a uma solução pacífica" da crise gerada a partir do golpe de Estado de 28 de junho passado.

 

Amorim afirmou que "há uma total falta de receptividade" por parte do governo Roberto Micheletti, que "denota um desconhecimento da situação". O ministro reiterou que o Brasil foi tomado por surpresa pela chegada do líder deposto a sua embaixada e que, por "uma situação que não criou, praticamente se tornou o guarda de um presidente democrático e legítimo de um país."

 

"Seria muito fácil simplesmente retirar os dois diplomatas que estão lá e o problema de segurança do Brasil terminaria", mas "não se pode fazer isso, porque seria um gesto de covardia, de falta de respeito à própria democracia, e um incentivo a outros golpes de Estado no continente", apontou Amorim.

 

O ministro informou que nesta segunda conversou por telefone com o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e da ONU, Ban Ki-moon, assim como com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Nos três casos, o chanceler disse ter manifestado as preocupações do governo, inclusive em relação à "segurança" na embaixada, e que houve uma "absoluta concordância" e apoio ao papel do governo brasileiro.

 

"Temos que seguir dando proteção a um presidente democrático, independentemente de quais sejam suas tendências políticas", apontou. Amorim também insistiu em que a ONU deveria ter um papel mais ativo na crise hondurenha. Segundo ele, "um maior papel da ONU poderia ter um efeito positivo" e ajudar a que se encontre uma saída negociada, que para ele deveria levar a "eleições naturalmente dirigidas pelo presidente legítimo" de Honduras.

  

Sobre a ameaça do governo hondurenho de retirar o status diplomático da missão brasileira, Amorim lembrou que a Convenção de Viena "estabelece que, ainda com uma ruptura de relações, o que não ocorreu, e ainda em caso de guerra, a inviolabilidade (da sede) deve se mantida."

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