Amorim e Clinton pedem investimentos de empresários no Haiti

Chanceler brasileiro e ex-presidente americano fizem apelos durante Fórum Econômico Mundial, em Davos

Efe e Associated Press,

28 de janeiro de 2010 | 11h06

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, e ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, enviado especial da ONU para o Haiti, pediram nesta quinta-feira, 28, aos empresários que invistam no devastado país caribenho para a reconstrução a médio e longo prazo.

 

"Estou emocionado com a grande generosidade que está havendo ao Haiti neste momento, mas devemos pensar a médio e longo prazo, porque isso está na volta da esquina, para reconstruir o país", afirmou Amorim, em uma sessão do Fórum Econômico Mundial, em Davos, destinada a debater como a comunidade empresarial pode ajudar nesta tarefa. "É importante que haja investimentos rápidos no Haiti, para que as pessoas vejam que há esperança", ressaltou o chanceler brasileiro.

 

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Amorim identificou as áreas que considerou prioritárias para essa reconstrução a médio e longo prazo, e para as quais ofereceu a colaboração do Brasil. Entre elas, citou criar "trabalhos para os jovens do Haiti" em setores como o têxtil, e realizar uma reconstrução ambiental.

 

"Precisamos realizar um programa em massa para replantar árvores no Haiti, para evitar que essa terra que já estava devastada antes do terremoto provoque inundações, e isso poderia ser financiado com as grandes instituições financeiras, assim como o setor privado", disse.

 

O ex-presidente dos EUA também incentivou investimentos no setor privado haitiano. "O Haiti tem a oportunidade de escapar de seu passado, e construir um futuro melhor que o passado que tinha", disse Bill Clinton, que esclareceu que "não se trata de reconstruir o Haiti tal como era".

 

 

Clinton disse que o Fórum Econômico Mundial trabalhará para fornecer informações com o objetivo de ampliar o investimento do setor privado no Haiti. O ex-mandatário relatou a líderes empresariais e políticos as últimas notícias sobre o Haiti. Enviado especial da ONU para o Haiti desde 2009, Clinton lembrou que prosseguem os problemas sérios com a falta de comida, água e abrigos.

 

O ex-presidente disse que o aeroporto tornou-se na prática o centro de operações do esforço humanitário. Ele relatou que pousam no aeroporto de Porto Príncipe 100 aviões por dia, aproximadamente dez vezes mais que antes do terremoto.

 

Clinton disse que é necessário garantir a segurança e melhorar as condições sanitárias, além de mais comida e água. "Nós temos que abrir escolas temporárias", lembrou ele.

 

O enviado da ONU afirmou ainda que outro problema é transportar os alimentos para os que precisam, e para isso são necessários caminhonetes ou picapes. Ele afirmou ter esperanças de que, assim que os sérios problemas com o terremoto sejam superados, o Haiti possa ter um futuro econômico melhor que o de antes do tremor. Clinton já trabalhava com outros líderes em planos para a economia haitiana, antes do dia 12.

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