Amorim: Lula deve ter feito autocrítica sobre greve de fome

Ministro defende declarações do presidente que comparam presos políticos cubanos com presos comuns

Denise Chrispim Marin -Agência Estado,

10 de março de 2010 | 16h26

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu nesta quarta-feira, 10, pouco as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a polêmica em torno dos dissidentes políticos de Cuba. Ontem, em entrevista a Associated Press, Lula defendeu a Justiça cubana, comparou dissidentes a presos comuns e condenou a greve de fome como recurso para libertar presos políticos. Amorim se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle.  

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"Não posso interpretar o presidente Lula", mas acho que nas palavras dele - que teve experiência de ter feito uma greve de fome e que exerceu autocrítica sobre isso - estava exprimindo apenas algo sobre a greve de fome". Em entrevista à Associated Press, o presidente Lula comparou preso político em Cuba aos bandidos presos em São Paulo.

 

Amorim afirmou que os Estados Unidos, na sua avaliação, seriam o poder para provocar grandes mudanças em Cuba. "Se alguém está interessado em uma evolução política em Cuba, eu tenho uma receita muito rápida: acabe com o embargo. Isso tudo vai trazer grandes mudanças", disse.

O chanceler argumentou que o Brasil está "muito envolvido na melhoria de vida dos cubanos" ao estimular investimentos brasileiros, o comércio bilateral e a realização de obras de infraestrutura. "Nós achamos que essas mudanças vão acabar trazendo outras mudanças também".

Questionado sobre o apelo de dissidentes cubanos para que o governo brasileiro os apoiasse, Amorim foi lacônico: "tem muita gente que quer o apoio do governo brasileiro. Uma coisa é defender a democracia, os direitos humanos e o direito de falar. Outra coisa é dar apoio a tudo quanto é dissidente do mundo. Isso não é (nosso) papel".

O chanceler argumentou que há outras formas de se falar com Cuba discretamente sobre envolvendo a questão política cubana. Conforme alegou, as condenações habituais não têm nenhum efeito prático. "A gente quer ajudar para que haja progresso material e desenvolvimento e melhores condições para o povo cubano. Essas condições melhores trarão naturalmente melhora em aspectos políticos de Cuba".

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