ANÁLISE-Apesar de frustração, oposição precisa reagir na Venezuela

O jovem líder da oposição da Venezuela Henrique Capriles começou o domingo da eleição ostentando os seus "sapatos da sorte", mas terminou o dia tentando conter as lágrimas de seus frustrados seguidores.

ANDREW CAWTHORNE E DIEGO ORE, Reuters

08 de outubro de 2012 | 11h40

A nova vitória eleitoral de Hugo Chávez, dando-lhe mais seis anos de mandato presidencial, foi um golpe duro demais para alguns dos partidários de Capriles, que foi o candidato único da oposição, no maior desafio eleitoral para o governante socialista em seus 14 anos no poder.

"As pessoas não devem se sentir derrotadas. O momento de Deus é perfeito, o país não vai acabar hoje", disse Capriles ao aceitar a derrota eleitoral, pouco antes da meia-noite.

Mas, passada a madrugada da frustração, a oposição poderá refletir sobre a melhora dos seus resultados -passou de 37 por cento dos votos em 2006 para 45 por cento com Capriles, um governador estadual de 40 anos, que passou meses fazendo campanha "casa a casa" e se posicionando em redutos chavistas onde antes a oposição estava praticamente ausente.

Ele também conseguiu preservar a unidade de uma coalizão frágil, com cerca de 30 organizações políticas de direita, centro e esquerda, aglutinadas apenas por sua oposição a Chávez.

"Capriles foi, de longe, o melhor candidato que já enfrentou Chávez, e sua história mal está começando", disse o especialista em pesquisas eleitorais Luis Vicente León, prevendo que Capriles será candidato a um novo mandato como governador do populoso Estado Miranda, que engloba parte de Caracas, e que continuará sendo uma liderança nacional da oposição.

Embora parte da oposição possa chorar e espernear, haverá pouco tempo para lamber as feridas antes do próximo round. Em dezembro, haverá eleições para os 24 governos estaduais, sendo sete atualmente controlados pelos adversários de Chávez.

Para que a oposição consiga crescer, será crucial que mantenha a sua aliança Unidade Democrática, que já aglutinou os antichavistas nas eleições parlamentares de 2010 e na presidencial de 2012.

Embora os principais líderes de oposição tenham se unido em torno de Capriles após sua vitória na eleição primária, em fevereiro, nada garante que seus egos continuarão sob controle.

Leopoldo López, ex-prefeito de um distrito de Caracas, e Pablo Pérez, governador do Estado Zulia, são dois homens ambiciosos, pertencentes à mesma geração de quarentões que rompeu com uma "velha guarda" oposicionista mais radical.

Os líderes mais velhos da oposição estão desacreditados por sua ligação com a elite política pré-Chavez -quando havia muita corrupção e nepotismo-, e pelas fracassadas táticas de boicotarem eleições e tentarem derrubar o presidente por protestos nas ruas.

Ao aceitar a derrota eleitoral, Capriles sinalizou que tentará manter as rédeas da oposição, e respondeu com firmeza a um ex-parlamentar que insinuou ter ocorrido uma fraude.

"O radicalismo sempre fez mal à Venezuela", afirmou. "Nunca vou bagunçar com a nossa gente, nem submetê-la à instabilidade. O outro lado obteve mais votos, e isso é a democracia."

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