ANÁLISE-Derrota de Chávez frearia reeleições na América Latina

A vitória do "não" no referendovenezuelano sobre a reforma constitucional que estabeleceria apossibilidade de reeleição ilimitada do presidente Hugo Chávezpode servir para conter em alguns governantes ou partidoslatino-americanos o ímpeto de prorrogar sua permanência nopoder. Segundo analistas, o histórico revés de Chávez no referendode domingo pode sepultar os projetos "reeleitorais" que afloramaberta ou veladamente na Colômbia, no Equador, na Bolívia e,mais timidamente, no Brasil. "A derrota de Chávez tem um impacto muito importante sobreo resto da América Latina, no sentido de criar uma barreirapara tentativas de ampliar reeleições no continente", disseEduardo Viola, professor de Relações Internacionais daUniversidade de Brasília. "O triunfo do 'não' coloca um limite aos apetites'reeleicionistas' na Colômbia, na Bolívia e em setores doPartido dos Trabalhadores no Brasil. Tende a evitar que seexpandam propostas por mais reeleições", acrescentou. O resultado de domingo foi a primeira derrota eleitoral dacarreira de Chávez, ainda que por estreita margem. Além depermitir reeleições ilimitadas, a reforma também daria aopresidente o poder de restringir o direito à informação emmomentos de emergência, entre outras propostas. Segundo Viola, alguns setores na Colômbia e no Brasil"especulam" com a possibilidade de reformas constitucionaispara permitir um terceiro mandato dos presidentes Álvaro Uribee Luiz Inácio Lula da Silva. Lula nega reiteradamente sua intenção de voltar a secandidatar em 2010, hipótese que chama de "insensata". Já Uribe, também muito popular entre o eleitorado, admitiurecentemente a possibilidade de buscar mais um mandato. "É claro, o resultado do referendo debilita a posição dosque queriam subir na onda de Chávez, como (o equatorianoRafael) Correa, (o boliviano Evo) Morales e o PT," disse oex-embaixador brasileiro em Washington Rubens Barbosa, queatualmente dirige uma consultoria em São Paulo. Para Riordan Roett, diretor do programa de estudos daAmérica Latina na Universidade John Hopkins, em Washington,"infelizmente as mudanças constitucionais para disputar outrareeleição são parte da patologia da região". "Será que um dia a região terá ex-presidentes?", questionourecentemente em coluna na Folha de S.Paulo o jornalista FabianoMaisonnave, que considera que a intenção "reeleitoral" deMorales está no centro dos conflitos da Constituinte bolivianae que "em breve" Correa manifestará a mesma intenção. Para os analistas, a derrota de Chávez no referendofavorecerá a demorada aprovação da adesão da Venezuela aoMercosul, que ainda depende de sanção parlamentar no Paraguai eBrasil, onde alguns parlamentares duvidam das credenciaisdemocráticas do presidente venezuelano. "Do ponto de vista externo, a derrota legitima Chávez",disse o consultor político Carlos Pio, professor da UnB, paraquem, apesar do revés, o líder venezuelano continuaráprocurando aumentar sua influência regional. (Colaborou Adriana García em Washington)

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