ANÁLISE-Economia cubana mudará, mas lentamente

A renúncia de Fidel Castro como lídersupremo de Cuba significa que mudanças na economia socialistacomandada por ele durante 50 anos são inevitáveis, masespecialistas dizem que ninguém deve esperar que muita coisaseja feita em pouco tempo. "Não espere que as comportas do investimento externo seabram, muito menos o aparecimento de milionários cubanos.Haverá medidas cuidadosamente planejadas para tornar a economiamais eficaz, e a pequena iniciativa será recompensada", disseJohn Kirk, um historiador canadense e escritor em Cuba. "Os Arcos Dourados (símbolo do McDonald's) e o Wal-Mart nãochegarão em Cuba em breve", acrescentou. Desde que assumiu o poder na revolução de 1959, Castromanteve uma economia controlada pelo Estado, com pouco espaçopara a iniciativa privada e avessa ao tipo de reforma quetrouxe rápido crescimento a outros países comunistas como Chinae Vietnã. A economia da ilha passou por épocas perigosas,especialmente nos anos 1990 quando o colapso da União Soviéticarepresentou o fim do apoio da superpotência da Guerra Fria.Escassez de alimentos e outros bens básicos eram parte darotina dos cubanos. Mas as coisas melhoraram desde 2004, impulsionadas pelaaliada Venezuela, pelo suave crédito chinês e pelos altospreços do níquel. O aumento da renda permitiu que o governo dobrasseimportações, melhorasse a infra-estrutura, relativamenteequilibrasse sua balança --apesar de um enorme déficitcomercial--, pagasse dívidas contraídas desde 1991 eregistrasse forte crescimento. Mas a forte ineficiência industrial, a reduzida produçãoagrícola e a baixa qualidade de bens e serviços continuaram. O irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, de 76 anos, deveser nomeado o novo presidente de Cuba quando a AssembléiaNacional eleger um novo Conselho de Estado no domingo, e aexpectativa é que ele faça mudanças na economia. Como presidente em exercício desde que Fidel ficou doentehá mais de 18 meses, Raúl encorajou o debate sobre os problemaseconômicos do país e levantou expectativas de muitos cubanos. Mas não foram feitas grandes reformas até o momento, eespecialistas alertam que as mudanças serão lentas e seguras. "Precisamos de tempo e há tempo para transformar aeconomia, mas isso deve ser feito primeiro em relação àdistorções como política de preços e setores que diretamentetêm impacto na população, como a agricultura", disserecentemente o economista cubano Juan Triana a uma classe deestudantes universitários. Outro economista cubano, que pediu para não seridentificado, afirmou que Raúl terá que lutar tanto com Fidelcomo com interesses burocráticos que se opõem à mudança. "Minha expectativa é que veremos algumas novas medidas nospróximos meses para melhorar nossas vidas um pouco, mas elasserão de natureza mais populista do que estrutural", disse. Ainda não está claro o quão reformista Raúl Castro planejaser. Ele é um socialista comprometido e tem sido o aliado econselheiro mais próximo do irmão desde que fizeram parte daguerrilha em Sierra Maestra. Já Frank Mora, da Faculdade Nacional de Guerra emWashington D.C., relatou esperar poucas medidas dos irmãosCastro. "O imperativo político sempre superou o crescimentoeconômico e o desenvolvimento em Cuba", analisou. (Reportagem de Marc Frank) REUTERS AS MPN

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