ANÁLISE-Farc podem soltar reféns para salvar reputação

Apesar do fracasso do pomposo plano deresgate dos reféns colombianos elaborado pelo presidente HugoChávez, da Venezuela, nem tudo está perdido para as duaspolíticas sequestradas que tiveram sua libertação prometidapela guerrilha depois de anos de cativeiro na selva, acreditamanalistas. Segundo especialistas entrevistados pela Reuters, as Farc(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) podem acabarlibertando Consuelo González e Clara Rojas para tentar melhorarsua imagem no exterior, que ficou seriamente abalada após oepisódio. "Mais que uma hipótese, (a libertação) é um compromisso queassumiram com o presidente Chávez, e que devem cumprir,acredito que vão cumprir", disse o diretor da revista Voz,Carlos Lozano. As Farc haviam prometido em meados de dezembro entregarGonzález e Rojas, junto com o filho desta última, nascido emcativeiro. A entrega seria um ato de desagravo a Chávez depoisque o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, suspendeu anegociação pela soltura de 47 reféns, entre eles a ex-candidataà Presidência colombiana Ingrid Betancourt. Chegou a haver uma missão internacional com a participaçãode autoridades de Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador,França e Suíça, mas a guerrilha não entregou os reféns, edepois foi revelado que o grupo nem estava de posse do meninoEmmanuel. A revelação de que a criança estava havia mais de dois anossob custódia dos serviços assistenciais colombianos foi mais umgolpe para Chávez, que afirmou que continuaria lutando pelalibertação das duas mulheres, mesmo que fosse através de umaoperação clandestina. "A operação clandestina tem riscos, tem que ser muito bemfeita, quase perfeita, para que a possibilidade de umafatalidade seja nula, portanto eu não a recomendaria, já quecolocaria em risco a vida das duas senhoras", afirmou Lozano. A Colômbia anunciou que não permitirá a entrada em seuterritório de comissões como a organizada pela Venezuela para afracassada entrega dos reféns. Isso obrigaria as Farc a levaras duas políticas até a Venezuela, ou entregá-las secretamente. O analista Jaime Zuluaga acredita que a libertação das duasem território venezuelano é "a única saída clara se as Farcquiserem recuperar o espaço político que perderam nos últimosdias."

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