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ANÁLISE-Militares dão garantia a reformas na Cuba pós-Fidel

Os generais que Raúl Castro colocou emseu governo não prenunciam linha-dura na Cuba pós-Fidel, e simpossibilidades reais de reformas econômicas dentro dos limitesdo socialismo, segundo analistas. As Forças Armadas Revolucionárias (FAR), que Raúl comandoudurante quase meio século, até ser efetivado como sucessor doirmão, no domingo passado, são a instituição mais eficiente deCuba. A holding militar Grupo de Administração Empresarial S.A.(GAESA) controla cerca de 25 por cento da economia e da entradade divisas da ilha, de acordo com analistas e empresáriosestrangeiros. E ao nomear como vice-presidente o general Julio CasasRegueiro, seu número 2 no Ministério da Defesa durante quatrodécadas e diretor do Gaesa, Raúl enviou um recado alto e claro. "[Regueiro] é o arquiteto das reformas dentro do Exército",disse Hal Keplak, historiador militar canadense e autor de umlivro sobre as FAR. Casas Regueiro, um general de 72 anos que combateu sob asordens de Raúl Castro na guerrilha da serra Maestra, foi océrebro da modernização das FAR depois do colapso da UniãoSoviética, em 1991. "Para poder melhorar a economia, o mais importante é enviaro sinal de que as reformas podem se fazer em paz e sem ameaçaras conquistas da revolução", afirmou Keplak, ex-pesquisador doReal Colégio Militar do Canadá. "Quem pode fazer isso? O Partido Comunista não tem como. Sóas FAR podem assegurar aos 'dinossauros' que nem o Exércitoreprimirá, como fizeram os chineses em Tiananmen, nem osocialismo vai se desmoronar, como na Europa Oriental",afirmou. Raúl Castro herdou uma economia fortemente centralizada eineficiente, onde, segundo ele mesmo admitiu, os salários pagospelo Estado não duram até o fim do mês. Desde que assumiu provisoriamente o poder devido à doençade Fidel, em julho de 2006, aumentou a expectativa de melhoraseconômicas. Para isso terá de reativar a produção. Raúl colocou outros dois veteranos guerreiros em seuExecutivo: os generais Leopoldo Cintra Frias e Alvaro LópezMiera (respectivamente comandantes do Exército Ocidental dailha e do Estado-Maior das FAR). Outro de seus generais de confiança, o ministro doInterior, Abelardo Colomé, continuará sendo um dosvice-presidentes. Todos lutaram sob as ordens dos irmãos Castro há meioséculo na serra Maestra. Sua lealdade é à prova de balas,segundo analistas e observadores. Casas Regueiro edificou a Gaesa, um conglomerado queadministra hotéis, uma companhia aérea, companhias de ônibus ede locação de veículos, uma rede de lojas, fábricas dearmamentos e até plantações de cítricos e criações de gado. "Não recordo de lhe ter feito nos últimos 50 anos nenhumacrítica de consideração ao companheiro Julio Casas, salvo, comodizemos os cubanos, ser 'muy tacaño' [sovina]. Mas daí derivamseus êxitos na frente econômica", disse Raúl ao lhe transferir,no domingo, o cargo de ministro da Defesa.

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

26 de fevereiro de 2008 | 20h42

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