Animador da TV mexicana é nova vítima da guerra do narcotráfico

Criminosos mexicanos furtaram nesta sexta-feira o corpo de um animador da TV mexicana que havia sido executado e abandonado no norte do México, e ameaçaram jornalistas que faziam a cobertura do crime, apenas um dia depois que os meios de comunicação mexicanos concordaram em moderar a cobertura da violência.

TOMÁS BRAVO, REUTERS

25 de março de 2011 | 21h28

No início da manhã, policiais encontraram o apresentador José Luis Cerda, da Televisa local, com um tiro na cabeça e as mãos atadas, jogado ao lado de uma rodovia na cidade de Monterrey, norte do país.

Cerda tinha sido sequestrado na noite de quinta-feira ao sair das instalações da emissora, segundo a polícia. O corpo foi encontrado em um terreno baldio, em frente a uma parede onde foi deixada a seguinte mensagem: "Já não continuo cooperando com os Zetas, atenciosamente CDG". Essa é a sigla do Cartel do Golfo, rival dos Zetas.

Cerda interpretava na TV um gângster que dançava música colombiana e contava piadas em um programa popular.

O programa noticioso matutino da Televisa em Monterrey, que mostrava ao vivo a localização do corpo do apresentador, cortou repentinamente a transmissão por causa da ameaça de que homens armados se dirigiam ao local e iriam abrir fogo contra a equipe da emissora.

"Estão nos pedindo (a polícia) que nos retiremos porque há o risco de que eles voltem e abram fogo", chegou a dizer, antes de deixar o local, o jornalista que fazia a cobertura.

Pouco depois, quando outros repórteres chegaram ao lugar, o corpo já não estava mais lá. "Os malitos (criminosos) o levaram", disse a jornalistas, na cena do crime, uma autoridade que não quis identificar-se.

Adrián de la Garza, o procurador de Justiça do estado de Nuevo León, cuja capital é Monterrey, declarou numa coletiva de imprensa que pelo menos oito policiais que estavam guardando o local onde o corpo havia sido encontrado foram suspensos de suas funções e detidos para interrogatório sobre o furto do cadáver de Cerda.

Horas depois, o corpo foi achado novamente, dentro de um automóvel na mesma rodovia, a uns 15 quilômetros de onde havia sido furtado pela manhã, segundo versões da imprensa. As autoridades não quiseram confirmar o fato.

O Cartel do Golfo e seu ex-braço armado, os Zetas, travam uma sangrenta guerra pelo controle de Monterrey e do nordeste do México, um lucrativo mercado para drogas, sequestros e extorsões, assim como uma importante rota para introduzir drogas nos Estados Unidos.

A Televisa, maior produtora de conteúdos em espanhol no mundo, foi uma das empresas que encabeçou esta semana um acordo para estabelecer controle das imagens chocantes de violência relacionada ao narcotráfico.

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