Anistia denuncia violações aos direitos humanos em Honduras

AI diz que 'detenções em massa foram usadas como punição para pessoas que expressaram oposição ao golpe'

Efe,

18 de agosto de 2009 | 21h01

A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta terça-feira, 18, um aumento das violações aos direitos humanos em Honduras, onde manifestantes que se opõem ao Governo instaurado após o golpe de Estado de junho são vítimas de detenções arbitrárias e maus-tratos.

 

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Em comunicado emitido de sua sede em Londres, a AI assegura que "as surras e as detenções em massa foram usadas como forma de punir pessoas que expressaram sua oposição ao golpe de Estado de junho apoiado pelos militares".

 

"Enquanto aumentam as violações de direitos humanos, a necessidade de que a comunidade internacional busque uma solução à crise política é inclusive mais urgente", afirma a Anistia.

 

A organização pró-direitos humanos baseia suas acusações nas fotos e entrevistas que fez com grande parte das 75 pessoas que foram detidas na delegacia da Chefia Metropolitana Número 3 de Tegucigalpa em 30 de julho, depois que a Polícia, respaldada por forças militares, dissolveu um protesto pacífico.

 

A maioria dos detidos, lembra a AI, sofreu ferimentos por causa das surras policiais e do lançamento de pedras e outros objetos contra si por parte das forças da ordem, mas foram libertados mais tarde.

 

A Anistia expressa sua inquietação também com a perseguição e intimidação às quais são submetidos os defensores dos direitos humanos, ao limite imposto à liberdade de expressão e aos ataques contra jornalistas.

 

Fora de Tegucigalpa, a situação é "igual ou inclusive mais grave", segundo a organização, que ressalta que os militares e a Polícia controlam as principais estradas do país e, frequentemente, retardam ou proíbem o acesso de ativistas pró-direitos humanos a zonas nas quais supostamente foram cometidos abusos.

 

Honduras vive uma crise desde que o presidente eleito, Manuel Zelaya, que promovia uma consulta popular para reformar a Constituição, apesar de uma proibição legal expressada por vários organismos, foi deposto pelos militares em 28 de junho.

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