Antes de referendo, Bolívia vive acirramento de confronto

Membros de grupos oposicionistas daBolívia anunciaram na segunda-feira a "massificação" de umagreve de fome ao mesmo tempo em que mineiros começaram abloquear uma importante estrada do país. Os novos episódios indicam o recrudescimento daconfrontação entre o governo boliviano e seus adversários aapenas seis dias de um referendo confirmatório de mandatos. O embate ameaça até mesmo atrapalhar as celebrações peloDia da Independência, na próxima quarta-feira, e isso devido aum insólito desentendimento entre as autoridades da cidade deSucre (sul) e líderes do Poder Legislativo a respeito dohorário de uma sessão de honra a ser realizada pelo CongressoNacional. O presidente boliviano, Evo Morales, um político deesquerda que aposta na votação para reafirmar sua liderança edebilitar o bloco de governadores oposicionistas, deuprosseguimento a sua campanha eleitoral, confiante em vista depesquisas que indicam a vitória dele nas urnas. No referendo de 10 de agosto, que a Corte Eleitoralconfirmou mais uma vez na segunda-feira apesar de desavençassobre a interpretação dos resultados, estarão em jogo os cargosde Morales, do vice-presidente Alvaro García e dos governadoresde oito de nove Departamentos. Abrindo uma nova frente na disputa, o comitê cívico deSanta Cruz deu início, no domingo, a uma noite de greve de fomeexigindo a "devolução" de parte de um imposto do petróleo que ogoverno utiliza para pagar juros de uma dívida. "Isso serve também para defender o governador (RubénCostas), o qual desejam prender por ter levado adiante oprocesso de autonomia", afirmou o presidente do comitê de SantaCruz, Branko Marinkovic, ao iniciar a greve de fome. Segundo Marinkovic, os representantes de outros trêsDepartamentos participarão do protesto. Costas e Marinkovic parecem ter assumido a liderança dobloco de oposição após encabeçarem movimentos regionaisresponsáveis por desafiar Morales em maio e junho comreferendos de autonomia em Santa Cruz (motor da economiaboliviana), Tarija (importante produtor de gás natural), Beni ePando (esses dois últimos situados na Amazônia). A mobilização cívica coincidiu com uma convocação pelaCentral Operária Boliviana (COB) de um bloqueio de estradas emdefesa de uma mudança radical no sistema previdenciário. Amanobra surgiu depois de ter fracassado uma longa negociaçãocom o governo. Funcionários da Huanuni, maior mina estatal do país,obedeceram à COB e, depois de declarar o início de uma greve nasexta-feira, interromperam o tráfego em uma importante estradada região, na madrugada de segunda-feira. "Essas mobilizações possuem apenas um propósito eleitoral",afirmou a repórteres o ministro de gverno da Bolívia, AlfredoRada, ao "lamentar" que a COB "faça o jogo da direita". REUTERS FE

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