Ao lado de Lula, Raúl lamenta morte de dissidente e culpa EUA

EUA e UE lamentam episódio e defendem libertação de presos políticos em Cuba e fim da repressão na ilha

estadao.com.br,

24 de fevereiro de 2010 | 15h09

Raúl gesticula ao lado de Lula em Havana. Foto: André Dusek/AE

HAVANA - O presidente cubano, Raúl Castro, lamentou nesta quarta-feira, 24, a morte do dissidente Orlando Zapata,falecido na terça após uma greve de fome de mais de dois meses.  Raúl conversou com jornalistas durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de quem inaugurou obras no país. 

"Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos", disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da SIlva, que visita Cuba.

Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de "terrorismo de Estado", que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano.

O líder cubano disse também que nunca assassinou ninguém.  "Não assassinamos ninguém, aqui ninguém foi torturado, mas sim na (vizinha, de posse americana) base de Guantánamo, não em nosso território."

Ele disse ainda que está disposto a discutir com o governo americano "todos os problemas que eles tiverem".  "Repito três vezes, todos, todos, todos. Mas não aceitamos se não for em absoluta igualdade."

Castro criticou ainda a imprensa que "só publica o que os donos querem".  "Aqui não há uma máxima liberdade de expressão, mas se os Estados Unidos nos deixarem em paz, poderá haver", disse.

A chancelaria cubana também lamentou a morte do ativista em comunicado. "O presidente Raúl Castro lamentou a morte do preso cubano Orlando Zapata Tamayo, morto ontem depois de entrar em uma greve de fome", diz o texto. 

 

Brasil evita comentários

 

O governo brasileiro vai evitar fazer comentários sobre a morte do ativista Orlando Zapata, ocorrida ontem depois de 85 dias de greve de fome em protesto contra o governo cubano. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, repetiu as palavras do presidente de Cuba, Raul Castro, na entrevista, classificando como lamentável o episódio e acrescentando que "há problemas de direitos humanos no mundo inteiro".

 

Mais cedo, quando estava ao lado de Raul Castro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a fazer qualquer comentário sobre o episódio ao ser questionado pela imprensa sobre a morte de Zapata e sobre problemas de direitos humanos em Cuba. O presidente limitou-se a dizer que falaria mais tarde. A expectativa, no entanto, é que isso não deve ocorrer por causa da preocupação do governo brasileiro em não interferir em assuntos internos de Cuba.

 

Repercussão internacional

Mais cedo, os EUA e a União Europeia condenaram a morte de Zapata. O porta-voz do departamento de Estado americano PJ Crowley disse que o governo do presidente Barack Obama está profundamente entristecido com a morte do oposicionista e que o caso foi tratado por diplomatas americanos em Havana na semana passada.

 

"O caso do senhor Zapata evidencia a injustiça de Cuba manter 200 prisioneiros políticos que deveriam ser soltos sem demora", disse.

Em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia (órgão executivo da UE) John Clancy também pediu a libertação dos presos políticos cubanos. "A Comissão Europeia lamenta a morte de Zapata e oferece suas condolências à família", disse.  

 

Com informações de Tânia Monteiro, enviada especial do Estado, e da  BBC Brasil

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