Apáticas, ruas de Havana esperam por mais do mesmo

Para cubanos, jovem-guarda do Partido Comunista deve assumir rédeas do regime apenas num segundo momento

Roberto Lameirinhas, de O Estado de S.Paulo,

20 de fevereiro de 2008 | 18h06

As ruas de Havana permanecem em silêncio, quase apáticas, em relação à renúncia de Fidel Castro. De acordo com os poucos cubanos que concordaram em falar com a reportagem do Estado na ilha, isso se explica por duas razões principais.   Ouça o depoimento do repóter  Após 49 anos, Fidel Castro renunciaArtigo publicado no Granma (em português) A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   Fidel Castro: herói ou vilão?  Ruy Mesquita fala sobre Fidel Castro e Cuba Leia cobertura completa da renúncia de Fidel   Primeiro, pelo menos oficialmente, Fidel já está afastado da cena política há mais de um ano e meio, enquanto seu irmão Raúl Castro lidera o regime com a mesma ortodoxia política e quase nenhum sinal de disposição para uma abertura econômica real. Segundo, existe a quase certeza de que nada muda no país, esteja ou não Fidel à frente do governo.  Raúl é favoritíssimo para assumir o posto de presidente do Conselho de Estado, que, na prática, já ocupa desde 31 de julho de 2006. Carlos Lage e o chanceler Felipe Pérez Roque correm por fora na eleição do novo chefe de Estado, mas não se descarta a possibilidade de que eles ampliem seu papel no regime. Uma análise comum em Havana é a de que o Partido Comunista opte pela manutenção de Raúl na chefia do Estado para que o impacto político-psicológico da renúncia de Fidel seja reduzido. A mensagem implícita nesse movimento seria a de que a revolução segue em seu rumo, apesar do afastamento de seu principal personagem. Numa etapa posterior, a jovem-guarda do partido assumiria definitivamente as rédeas do regime, com a ascensão de um líder teoricamente menos avesso a uma limitada abertura econômica e - num exercício de otimismo extremo - a uma reaproximação com os "imperialistas" dos EUA. Leia a reportagem completa no Estadão desta quinta-feira, 21.

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